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Recessão agrava-se em Espanha. Governo negoceia mais tempo para equilibrar contas públicas

Antes de apresentar o plano de estabilidade e crescimento até 2016, Luis de Guindos revelou algumas estimativas para a economia espanhola. O ministro das Finanças prevê uma contracção entre 1% e 1,5% em 2013 mas admite que o PIB volte a crescer em 2014.

Ana Luísa Marques anamarques@negocios.pt 22 de Abril de 2013 às 11:05
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Em Washington, onde esteve para participar nos encontros de Primavera do Fundo Monetário Internacional e do G20, Luis de Guindos (na foto com o novo Secretário do Tesouro norte-americano, Jacob Lew, em Washington na sexta-feira, 19 de Abril) concedeu uma entrevista ao “Wall Street Journal” onde revelou que Espanha está a negociar com Bruxelas a flexibilização das metas orçamentais.

 

Espanha quer mais dois anos (ou seja, até 2016) para cumprir um défice orçamental de 3% do produto interno bruto (esta meta deveria ser atingida em 2014). “O ritmo de consolidação orçamental deve acompanhar a actual situação económica. Um excessivo corte orçamental terá, a curto prazo, um efeito negativo sobre a actividade económica”, afirmou Luis de Guindos durante uma conferência de imprensa concedida na sexta-feira em Washington e citada pelo “El País”.

    

A directora-geral do Fundo Monetário Internacional já corroborou com as palavras do ministro das Finanças de Espanha, tendo afirmado na quinta-feira que Espanha “necessita de mais tempo” para equilibrar as contas públicas. “Não vemos necessidade de realizar um ajustamento tão rápido”, afirmou a responsável pelo fundo. 

 

Espanha tem, actualmente, perto de seis milhões de desempregados e um défice orçamental que atingiu 10% do produto interno bruto em 2012. O país prepara-se para viver o segundo ano consecutivo de recessão económica.

 

Governo revê previsões económicas para 2013 e 2014

 

As mais recentes previsões do Governo indicam que, em 2013, a economia pode cair entre 1% e 1,5% (abaixo dos 1,6% antecipados pelo Fundo Monetário Internacional). Estes valores representam uma revisão em alta face às anteriores estimativas que apontavam para uma queda de apenas 0,5%.

 

Para 2014, o Executivo espanhol espera um crescimento de 0,6% e não de 1,2% como indicavam as anteriores estimativas.     

 

O Governo espanhol apresenta na sexta-feira, 26 de Abril, o Plano de Estabilidade e Crescimento para os próximos três anos e um novo plano de reformas económicas.

 

Resgate à banca eleva défice espanhol para 10,6% 

 

O Eurostat confirmou esta segunda-feira, 22 de Abril, que o défice orçamental espanhol ficou nos 10,6% do produto interno bruto em 2012 devido ao resgate ao sector financeiro. Sem esta ajuda, o défice ficou nos 7%, uma redução face ao défice de 2011 (9%) mas, ainda assim, aquém da meta estabelecida com Bruxelas (6,3%).

 

Espanha é o oitavo país da União Europeia com a dívida pública mais elevada mas é o primeiro no que diz respeito ao ritmo de crescimento da dívida. Em finais de 2011, a dívida pública espanhola estava nos 69,3% do PIB. No final do ano passado esta percentagem aumentou para 84,2% e para 87% nos primeiros três meses de 2013.

 

(Notícia actualizada às 12h59 com os dados do Eurostat)

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