Zona Euro Regling: "Não há país nenhum na Zona Euro com grandes problemas macroeconómicos"

Regling: "Não há país nenhum na Zona Euro com grandes problemas macroeconómicos"

"Não estou preocupado com a possibilidade de Itália perder acesso ao mercado", disse o presidente do Mecanismo Europeu de Estabilidade, Klaus Regling .
Regling: "Não há país nenhum na Zona Euro com grandes problemas macroeconómicos"
Bloomberg
Margarida Peixoto 27 de novembro de 2018 às 16:21
Klaus Regling, presidente do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), defendeu esta terça-feira, 27 de Novembro, que a Zona Euro está mais bem preparada para enfrentar uma próxima crise económica. "Não há país nenhum na Zona Euro com grandes problemas macroeconómicos", argumentou, durante um seminário para jornalistas, que decorreu esta terça-feira, no Luxemburgo.

O presidente do MEE reconheceu que "todos os países têm algum problema" e que "todos têm trabalho", mas assegurou que não vê "grande desalinho nem grandes problemas" como via antes da última grande crise.

"Estamos mais fortes agora do que há 10 anos. Os países que tiveram problemas há 10 anos, como Portugal, fizeram o seu trabalho de casa," defendeu. E continuou a dar Portugal como exemplo: "O défice baixou, a competitividade melhorou, a balança de conta corrente também." O mesmo aconteceu com a Grécia, notou, que "fez muito progresso", apesar de ter levado mais tempo e de "ainda não estar completamente lá". Mas já tem um "excedente orçamental desde 2016, a competitividade está restaurada e o défice da balança corrente também", somou.

"Não estou preocupado com a possibilidade de Itália perder o acesso ao mercado"

Mesmo no que toca a Itália, "os fundamentais da economia são muito mais fortes do que eram os da Grécia", defendeu. "Não estou preocupado com a possibilidade de Itália perder o acesso ao mercado", afirmou Klaus Regling.

O presidente do MEE lembrou que grande parte da dívida pública italiana é financiada por poupança doméstica, notando que não é a primeira vez que se fala da hipótese de Itália perder acesso ao mercado, mas que isso nunca aconteceu. "E há razões para isso".

Ainda assim, Regling reconheceu que o país "tem problemas", nomeadamente, "está sem ganhos de produtividade e os objectivos de défice não estão alinhados com o enquadramento comunitário."

"É mau quando um governo deliberadamente ignora" as regras

Apesar da confiança na capacidade de Itália para resistir à turbulência actual, Regling criticou o facto de o Governo de Giuseppe Conte não ter apresentado um projecto de Orçamento do Estado de acordo com as regras do Pacto de Estabilidade e Crescimento.

"Mas assumo como sinal positivo o facto de Itália continuar a falar com a Comissão Europeia", somou o presidente do ESM, depois de notar que, na verdade, não é a primeira vez que um país decide ignorar o enquadramento orçamental europeu - "França e a Alemanha já o fizeram antes".

* - Jornalista no Luxemburgo, a convite do Banco Europeu de Investimento



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