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Schäuble: Atenas tem ainda um “longo e difícil caminho de reforma pela frente”

Numa altura em que a Grécia atravessa uma situação política tensa após o encerramento da estação pública ERT, os contactos entre Atenas e Berlim têm ocorrido ao mais alto nível. Depois da conversa telefónica entre Angela Merkel e Antonis Samaras, hoje foi a vez de Wolfgang Schäuble falar com o seu homólogo grego. O Ministro das Finanças alemão prometeu visitar Atenas “em breve”.

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Wolfgang Schäuble e Yannis Stournaras (na foto) conversaram esta segunda-feira e concordaram que uma das “maiores prioridades” do Governo grego é o combate ao elevado desemprego. A Grécia tem, actualmente, a taxa mais elevada da União Europeia: os mais recentes dados disponíveis, referentes a Fevereiro de 2013, mostram que a taxa de desemprego atingiu os 27%. Os números do Eurostat mostram ainda que entre os jovens com menos de 25 anos, a taxa de desemprego atingiu, no mesmo mês, os 62,5%.

 

Num comunicado emitido pelo gabinete de Wolfgang Schäuble, o ministro das Finanças da Alemanha revela que os dois responsáveis comprometeram-se na criação de um banco de desenvolvimento direccionado para as pequenas e médias empresas.

 

O responsável pela pasta da Finanças germânica terá dito ao seu homólogo grego que o país tem dado passos positivos mas que tem ainda “um longo e difícil caminho de reformas” pela frente.  

 

Este domingo, durante a conversa telefónica que teve com o primeiro-ministro grego, Merkel "exprimiu o seu respeito e o seu apoio à política de reformas claras do governo grego". "A Grécia já fez progressos significativos e está hoje numa situação bem melhor, em muitos aspectos, do que há apenas alguns meses", afirmou o porta-voz do executivo alemão, citado na nota.

 

"Agora é particularmente importante adoptar o que foi acordado com a troika, no que se refere ao serviço público, para continuar na via do sucesso", acrescentou.

 

Recorde-se que estas manifestações de apoio por parte do Executivo germânico ocorrem numa altura em que Antonis Samaras está sob fogo cruzado por parte dos partidos políticos, incluindo os que compõem a coligação no governo, e da opinião pública devido ao encerramento da televisão e rádio públicas.

 

O encerramento da estação de televisão e rádio públicas ERT, e a sua reabertura segundo um modelo que o governo diz que será mais moderno, é uma forma de mostrar o quão comprometida a Grécia está com as reformas estruturais. Contra a falta de transparência, contra o desperdício, tem dito o primeiro-ministro Antonis Samaras sobre uma acção que levou mais de 2.000 funcionários públicos para o desemprego.

 

A decisão foi tomada, unilateralmente, por Antonis Samaras e desagradou, por completo, aos parceiros de coligação, Pasok e Esquerda Democrática. “As movimentações feitas para impressionar, através da violação de princípios básicos da maioria parlamentar, não são reformas”, disse Evangelos Venizelos, o líder do Pasok, que pertence ao actual Executivo e que antes das eleições de 17 de Junho do ano passado foi ministro das Finanças. Como relembra a Reuters, a decisão de encerrar a ERT, tomada na terça-feira poucas horas antes de os ecrãs da estação passarem a negro, foi tomada através de um decreto ministerial, o que significa que não precisa de passar pelo Parlamento.

 

O Esquerda Democrática, através de um comunicado, também já falou sobre a postura de Samaras na questão da televisão pública helénica. E admitiu um problema na coligação. “Se nas palavras e nas acções – tal como no discurso incendiário de Samaras de hoje [domingo]–, os parceiros de governo são evitados, então a coesão do governo está em risco”, indicou a força política, a mais pequena entre as que compõe o Executivo, num comunicado citado pelo “The New York Times”. Fotis Kouvelis, o líder desta força, considera que a reforma no canal de televisão é necessária, mas acrescenta que a mesma precisa de ser reaberta imediatamente.

 

Samaras sem força no governo e no partido 

 

Os líderes dos partidos políticos que dão suporte ao Governo vão reunir-se esta segunda-feira. Evangelos Venizelos e Fotis Kouvelis encontrar-se-ão com Antonis Samaras pelas 19h30 de Atenas, 17h30 de Lisboa. 

 

O “Kathimerini” escreve que Samaras propôs a formação de um comité interpartidário para contratar alguns funcionários, preparados para começar a transmitir alguns programas naquele que será o canal a substituir a ERT. Mas será necessária outra proposta, já que, alegadamente, essa proposta foi rejeitada pelos partidos mais pequenos que suportam o governo helénico. 

 

Espera-se que antes dessa reunião, Samaras faça um discurso na televisão. O jornal grego “Kathimerini” escreve sobre a especulação que tem corrido de que essa transmissão televisiva possa ser feita na sucessora da ERT. Como assinala a publicação helénica, os ecrãs da antiga ERT não estão pintados a negro porque foram, entretanto, substituídos pelo novo logótipo da Nerit, nome da estação que a irá substituir. 

 

Contudo, neste momento, além de se temer pela força da coligação, a própria posição de Samaras no seu partido poderá estar colocada em causa. O “Kathimerini”, na sua edição internacional, escreve que o ministro dos Negócios Estrangeiros, Dimitis Avramopoulos, emitiu uma nota sobre a ERT, numa movimentação entendida como uma forma de se diferenciar da posição de Samaras, que intensifica os receios de que a liderança de Samaras no Nova Democracia esteja em perigo.

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