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Schäuble defende que atenuar austeridade não geraria crescimento na Europa

O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, considerou esta terça-feira um "erro" pensar que atenuar a disciplina orçamental gerará crescimento na Europa.

Miguel Baltazar/Negócios
Lusa 09 de Setembro de 2014 às 13:30
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Violar as regras orçamentais com a expectativa de estimular o crescimento económico "é um erro, não encontraremos o caminho", insistiu Schäuble, ministro das Finanças da chanceler Angela Merkel, durante um discurso aos deputados no Bundestag, câmara baixa do Parlamento alemão que hoje começou a debater o projecto de Orçamento de Estado para 2015.

 

"Não podemos comprar empregos e crescimento com dinheiro público", adiantou o ministro, "e isso também não ajuda o Banco Central Europeu porque este faz o que pode, mas não pode impor o crescimento, como se vê actualmente".

 

Na quinta-feira, o Banco Central Europeu (BCE) reduziu a taxa de juro directora para 0,05%, um novo mínimo histórico, e anunciou que vai lançar um programa de compra de dívida privada para apoiar o mercado de crédito e dinamizar a economia da zona euro, anunciou o presidente da instituição, Mario Draghi.

 

Draghi referiu que o pacote de compra de activos do BCE inclui também créditos hipotecários em euros emitidos por instituições financeiras da Zona Euro, mas não precisou o montante deste programa de compra de activos, que deverá ser lançado a partir de Outubro.

 

"Queremos garantir que estes títulos ABS (asset-backed securities) vão servir para que o crédito chegue à economia real", afirmou Draghi.

 

Draghi disse também que será difícil chegar a uma inflação próxima dos objectivos do BCE só com base na política monetária. "É preciso crescimento", considerou. "São precisas medidas orçamentais e sobretudo reformas estruturais", apontou.

 

A abundância de liquidez só se traduzirá em investimento e crescimento se os Europeus inovarem e adoptarem as reformas estruturais muito defendidas pela Alemanha, mas respeitando os princípios orçamentais, defendeu Schäuble.

 

"Nós provámos que uma política orçamental sólida era a melhor política para o crescimento e o emprego", declarou o ministro conservador, que apresenta um orçamento federal para 2015 com défice zero, pela primeira vez desde 1969.

 

O equilíbrio orçamental "não é um fim em si mesmo, mas sim o sinal de que podemos contar com nós próprios, é a única maneira de manter a confiança", defendeu, adiantando que a "a confiança é primordial para investidores e consumidores".

 

"Cumprir as promessas implica também respeitar as regras europeias, toda a gente deveria respeitar as regras europeias, porque decidimos em conjunto", precisou o ministro, criticando implicitamente os apelos na Europa para uma maior indulgência em relação aos que não cumprem as regras orçamentais.

 

Entretanto, Schäuble está a reflectir, em concertação com o homólogo francês, Michel Sapin, sobre "propostas comuns para criar melhores condições de investimento (privado), a nível nacional e na Europa.

 

Os dois ministros querem apresentar as propostas numa reunião de grandes empresários europeus em Milão no sábado.

 

Segundo o jornal alemão Süddeutsche Zeitung, a pedra angular do plano dos dois ministros seria uma redinamização do mercado de ABS (asset-backed securities). 

 

Os títulos ABS permitem a um banco transaccionar os créditos que concedeu através de uma revenda. Esta prática, acusada de ser em parte responsável pela crise norte-americana do 'subprime' de 2008, foi largamente abandonada na Europa. 

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