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Schulz: Fundo de 50 mil milhões de activos públicos gregos para garantir novo empréstimo "não é má ideia"

O presidente do Parlamento Europeu confirmou que o Eurogrupo discutiu a criação de um fundo que teria por missão gerir a venda de activos activos gregos para garantir um eventual terceiro empréstimo. E disse que o governo grego mostrou abertura.

Bloomberg
Pedro Ferreira Esteves pesteves@negocios.pt 12 de Julho de 2015 às 17:34
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O Eurogrupo recuperou uma ideia lançada no passado por Jean-Claude Juncker para viabilizar um eventual novo empréstimo à Grécia: a criação de um fundo para gerir os activos públicos a privatizar na Grécia, na expectativa de que as vendas possam chegar aos 50 mil milhões de euros,  que servirá como garantia a um novo empréstimo. Isso mesmo foi confirmado pelo presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, em conferência de imprensa esta tarde, poucos minutos depois de os líderes da Zona Euro terem iniciado a cimeira decisiva para o futuro da Grécia na moeda única. 

"A ideia é de Jean-Claude Juncker, lançada no quadro do primeiro programa, há uns anos: activos de privatizações utilizados para gerir a dívida grega. Os 50 mil milhões é um montante indicativo. Mas não devemos falar dos valores primeiro, devemos falar, antes de mais, do princípio. A ideia é estabilizar a capacidade da Grécia de gerir a sua dívida. Não é uma má ideia", respondeu Schulz, quando confrontado com as informações que circulavam pelos corredores de Bruxelas desde esta manhã.  

"O problema [que é preciso resolver] tem a ver com a eficácia [do fundo] e com a propriedade: a quem pertence o fundo? Não podemos pôr a riqueza nacional dos gregos nas mãos de terceiros para gerir. Pelo que ouvi a Grécia não se opõe à ideia, a questão é perceber quem é que controla o fundo, a quem pertence. Tenho a certeza que conseguiremos encontrar uma solução para a estrutura deste fundo", acrescentou Schulz, que recuperou depois, a propósito deste fundo, o alerta sobre a necessidade de evitar a "humilhação do povo grego". 

"A questão sobre este fundo para gerir a riqueza nacional, sobre quem a gere, está relacionada com a soberania [do país] e isso está ligado à questão da humilhação, do orgulho do povo. E esse orgulho nacional tem de ser respeitado", completou o presidente do Parlamento Europeu perante os jornalistas. 

Schulz adiantou ainda que ficou "surpreendido" que "o governo grego tenha feito [agora] propostas muito semelhantes às de Juncker no final do segundo programa. Porque a proposta foi parcialmente recusada pelo povo grego". E deixou um recado aos dois lados da negociação: "o que for acordado agora deve ter em conta dois elementos: de um lado, a capacidade de cumprir e a vontade de cumprir da Grécia, e, do outro lado, a abertura dos outros membros para ter em conta a situação difícil da Grécia. É preciso encontrar essa ponte" entre as duas partes. 

Finalmente, acerca da proposta do ministro alemão das Finanças, noticiada ontem, que prevê a saída temporária da Grécia do Zona Euro enquanto durar uma eventual reestruturação da dívida, Martin Schulz foi peremptório: "Não falo em nome do governo alemão. Não lhe posso dizer a origem dessa ideia. É um documento que inclui uma saída temporária da Grécia, mas a condição é que a Grécia teria de o aceitar. E uma vez que Grécia não irá aceitá-lo, não devemos debater muito mais essa ideia".

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