Zona Euro Stiglitz: "É altura de os Estados Unidos serem generosos com os nossos amigos gregos"

Stiglitz: "É altura de os Estados Unidos serem generosos com os nossos amigos gregos"

O economista norte-americano crítica a posição alemã face à crise grega e considera que a saída grega do euro "não seria o fim do mundo". Garante que a Grécia precisa de "ajuda humanitária" e defende que os Estados Unidos deveriam apoiar aquele país mediterrânico.
Stiglitz: "É altura de os Estados Unidos serem generosos com os nossos amigos gregos"
Bloomberg
David Santiago 09 de julho de 2015 às 14:13

O economista norte-americano e antigo prémio Nobel, Joseph Stiglitz, voltou a referir-se de forma crítica à forma como a Europa, nomeadamente a Alemanha, têm gerido a crise que se vive na Grécia. Num artigo publicado esta quinta-feira, 9 de Julho, na revista Time, Stiglitz começa por lamentar que a Alemanha, apesar de ter beneficiado do maior resgate e perdão de dívida da história, e ainda do apoio incondicional do Plano Marshall no pós-Segunda Guerra, continue "a recusar discutir um alívio da dívida" grega.

 

O antigo membro da administração Clinton, refuta a ideia de que a Grécia e a sua economia são casos perdidos e lembra que desde meados dos anos 90 até ao espoletar da crise financeira, a economia helénica crescia a um ritmo superior à média da União Europeia – 3,9% comparativamente com 2,4%, aponta. Joseph Stiglitz nota ainda que os gregos aplicaram mesmo programas de austeridade, "cortando despesas e aumentado impostos".

 

E recorda que a Grécia conseguiu alcançar excedentes orçamentais primários, atingindo uma "posição orçamental que teria sido verdadeiramente impressionante se o país não tivesse entrado em depressão", com um declínio do PIB de 25% e desemprego também nos 25%.

 

Estes resultados devem-se a "terem feito o que lhes foi exigido, e não a um falhanço em fazê-lo", crítica.

 

Aqui chegados, para Joseph Stiglitz a pergunta é o que fazer a seguir se "como parece mais provável" a Grécia for "efectivamente empurrada para fora do euro". Desde já, este economista acredita na concretização do "Grexit" porque o Banco Central Europeu (BCE) se irá "recusar a fazer o seu trabalho". Stiglitz defende que o BCE deveria fazer aquilo que se espera de qualquer outro banco central, ser "um credor de último recurso". Mas se a instituição presidida por Mario Draghi se recusar a sê-lo, então Atenas não tem alternativa à "criação de uma moeda paralela".

 

Um cenário saída do euro e a introdução de uma moeda paralela "não seria o fim do mundo", garante o prémio Nobel que nota que as "moeda vão e vêm" como mostra a experiência de 16 anos do euro, "mal desenhado e concebido para não funcionar".

 

A Grécia deveria, desde já, iniciar o processo de reestruturação da dívida, como reconheceu "ser absolutamente necessário o Fundo Monetário Internacional (FMI)". Stiglitz sugere que a Grécia siga o exemplo da Argentina e substitua as obrigações actuais por obrigações indexadas ao PIB, em que os pagamentos aumentam em função do crescimento económico.

 

Apesar das negociações em curso entre Atenas e os credores, o economista nobelizado afiança que a Grécia "pode sobreviver facilmente sem fundos do FMI e da Zona Euro". E lembra que depois de a Argentina ter reestruturado a sua dívida, "cresceu rapidamente".

 

Independentemente do que venha a acontecer, Joseph Stiglitz sustenta que "é altura de os Estados Unidos serem generosos com os nossos amigos gregos nesta altura de necessidade, depois de terem sido esmagados, pela Alemanha, desta vez com ajuda da troika, pela segunda vez num século".  

 

Para que tal se possa verificar, sugere que a Reserva Federal dos Estados Unidos crie uma linha de swap com o banco central grego. "A Grécia precisa "incondicionalmente de ajuda humanitária" e necessita que os Estados Unidos "comprem os seus produtos, façam lá as suas férias e mostrem a solidariedade e humanidade para com os gregos que os parceiros europeus não foram capazes de exibir".

 




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