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Syriza promete negociações "realistas" com parceiros da União Europeia

O líder do partido grego Syriza sublinhou este sábado, 3 de Janeiro, que um Governo por ele dirigido negociará com os parceiros europeus "sobre uma base realista", exigindo "o perdão da maior parte da dívida, porque a dívida objectivamente não pode ser paga".

Negócios com Lusa 04 de Janeiro de 2015 às 11:57
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Num comício da formação política de esquerda que deu início à campanha eleitoral, Alexis Tsipras garantiu que o objectivo do Syriza é obter um perdão que torne sustentável a dívida, "com medidas que não prejudiquem os povos europeus, mas com mecanismos europeus".

 

"Só [o primeiro-ministro, Andonis] Samaras é que faz de conta que a dívida é sustentável, para não reconhecer que o seu programa fracassou e que é necessário acabar com a austeridade", afirmou, acrescentando que o objectivo do seu partido é que "a dívida seja paga com crescimento".

 

Para relançar a economia, será necessário - defende - um programa de investimentos públicos a nível europeu.

"Que todos saibam: haverá negociações, haverá acordo e o Memorando pertencerá ao passado, não só na Grécia como em toda a Europa", frisou.

 

Tsipras assegurou que uma vez ganhas as eleições, o Syriza aplicará imediatamente e "independentemente do que aconteça com as negociações [com a troika]" o chamado Programa de Salónica, um pacote de medidas de ajuda imediata aos mais pobres, um programa que, na sua opinião, não cria novos défices, mas condições para o crescimento.

 

O líder da esquerda mostrou-se seguro de que a "campanha do medo" de Samaras, que augura uma saída da Grécia do euro se o Syriza vencer as eleições, não surtirá efeito e que a esquerda não só ganhará na Grécia como também em Espanha e na Irlanda.

 

Segundo o líder da oposição grega, "toda a gente está consciente de que a Europa não está em perigo por causa da esquerda, mas por causa do ultraliberalismo, das políticas de [a chanceler alemã, Angela] Merkel".

 

Por sua vez, Merkel prepara-se para deixar a Grécia sair da zona euro, no caso de a esquerda radical pôr em causa a política de rigor orçamental do país, noticiou sábado a edição online da revista alemã Der Spiegel.

 

"O Governo alemão considera quase inevitável a saída [da Grécia] da zona euro, se o líder da oposição, Alexis Tsipras, dirigir o Governo após as eleições [legislativas], abandonar a linha de rigor orçamental e deixar de pagar as dívidas do país", lê-se na página da internet da revista semanal, que cita "fontes próximas do Governo alemão".

 

Angela Merkel e o seu ministro das Finanças, Wolfgang Schäuble, mudaram de opinião e agora "consideram sustentável uma saída do país da moeda única, devido a progressos feitos pela zona euro desde o auge da crise, em 2012", refere a Spiegel online, ainda com base nas mesmas fontes.

 

"O risco de contágio dos outros países é limitado, pois Portugal e a Irlanda são considerados sanados. Por outro lado, o MES (mecanismo europeu de estabilidade) fornece um forte mecanismo de salvamento e a União Bancária garante a segurança das instituições de crédito", indicaram ainda as fontes.

 

O parlamento grego anunciou na quarta-feira a sua dissolução e confirmou a realização a 25 de Janeiro de eleições legislativas antecipadas, para as quais o partido de esquerda radical Syriza surge como favorito nas sondagens. 

 

As sondagens mais recentes, citadas pela Reuters, dão vantagem ao Syriza com 30,4% contra os 27,3% do partido Nova Democracia, de Samaras. A sondagem é da Rass e foi realizada para o jornal Eleftheros Typos, tendo sido conduzida a 29 e 30 de Dezembro, já depois de se saber que iria haver eleições antecipadas.  

 

 

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