Zona Euro Tensão entre Portugal e Grécia. Varoufakis invoca "boas maneiras" para não falar sobre Maria Luís

Tensão entre Portugal e Grécia. Varoufakis invoca "boas maneiras" para não falar sobre Maria Luís

Ministro grego recusou alongar a sua resposta sobre a tensão na reunião do Eurogrupo com os seus homólogos português e espanhol. Argumentou que precisa de manter "uma excelente relação de trabalho" com os dois ministros para que a Grécia consiga concretizar os seus planos que passam por pagar a dívida a Lisboa e Madrid.
Tensão entre Portugal e Grécia. Varoufakis invoca "boas maneiras" para não falar sobre Maria Luís
Bruno Simão/Negócios
André Cabrita-Mendes 20 de fevereiro de 2015 às 22:23

Houve um ambiente de tensão entre Portugal e a Grécia na reunião dos ministros das Finanças do euro. Durante a tarde desta sexta-feira, 20 de Fevereiro, foram vários os relatos a dar conta que Portugal, mas também a Espanha, discordaram de vários pontos no acordo que acabou por ser assinado entre a Grécia e o Eurogrupo.

 

A oposição de Lisboa e Madrid terá mesmo levado os governos ibéricos a tentar bloquear o acordo que prevê a extensão do empréstimo europeu para a Grécia em quatro meses, segundo avançaram vários meios de comunicação, como a grega Skai TV e britânico Guardian, que citou fontes próximas do Governo grego.

 

Yanis Varoufakis abordou esta questão no final da reunião. Na conferência de imprensa, um jornalista português perguntou ao ministro das Finanças grego sobre qual tinha sido o problema e como é que o qualificaria.

 

Começou por dizer que era uma "pergunta muito difícil" e que apesar de ter prometido "dizer a verdade" sobre o encontro, "ao mesmo tempo, há algo chamado boas maneiras".

 

E contou a estória do ocorrido na reunião com Maria Luís Albuquerque e Luis de Guindos. "A ministra portuguesa e o ministro espanhol são meus colegas no Eurogrupo. Reconheço que têm as suas próprias prioridades políticas e foi claro que estão motivados por estas prioridades. Eu respeito isto".

 

A delicadeza da situação levou a que o assessor de imprensa grego, a dado momento da conferência, tentasse interromper a resposta de Yanis Varoufakis, mas o ministro não acatou o pedido: "Deixa-me acabar, deixa-me acabar".

 

Depois reconheceu os empréstimos feitos pelos dois países ibéricos a Atenas nos últimos anos. "Também é verdade que a Grécia recebeu uma quantidade singificativa de dinheiro  [em empréstimos] destes países. Cerca de 20 mil milhões de Espanha. Não de Portugal porque Portugal é muito mais pequeno. Mas se olharmos per capita, não é insignificante".

 

Explicou que sempre foi contra o resgate à Grécia, assim como o Syriza. E argumentou que a austeridade imposta pela troika colocou a Grécia "numa espiral que nos fizeram perder o rendimento com o qual podiamos pagar" [a dívida a Portugal].

 

Defende que o "essencial agora" é aprovar um "novo quadro" no Eurogrupo que "permita a países como Portugal e a Grécia crescer para pagarmos as nossas dívidas um ao outro e aos outros países".

 

"E para fazer isto eu preciso de manter uma excelente relação de trabalho com os meus colegas de Portugal e Espanha. E por isso vão-me permitir descontinuar a resposta neste ponto", concluiu Yanis Varoufakis, deixando transparecer a tensão com os seus homólogos português e espanhol.

 

Também o líder do Eurogrupo rejeitou comentar a tensão entre Grécia e Portugal e Espanha. Questionado sobre este caso, Jeroen Dijsselbloem recusou responder e sublinhou apenas que o acordo foi assinado por unanimidade.




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