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Troika: É urgente que a Irlanda resolva os elevados níveis de crédito mal parado

A Irlanda concluiu a décima primeira avaliação junto dos credores internacionais com sucesso. Porém, a troika adverte que para a recuperação económica e do crédito é necessário que a reforma do sector financeiro mostre progressos.

Inês Balreira inesbalreira@negocios.pt 18 de Julho de 2013 às 18:13
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O programa de ajustamento da Irlanda continua no “bom caminho” e a “yield” das obrigações irlandesas está abaixo dos níveis registados nos últimos anos. No entanto, a troika considera que para a retoma económica da Irlanda continuar no bom caminho é necessário que a reforma implementada no sistema financeiro comece a dar sinais mais expressivos.

 

No relatório da décima primeira avaliação, dada por concluída com sucesso, os credores internacionais indicam como “prioridade imediata” para o País “a resolução dos elevados níveis de imparidade dos bancos”, nomeadamente o crédito mal parado.

 

FMI, BCE e Comissão Europeia vêem como positivo as medidas legislativas e de regulamentação que têm sido implementadas no sector, que têm vindo a “reforçar a resolução das hipotecas em atraso”. Mas é necessário, sublinha a troika, que a banca seja célere a encontrar “soluções duradouras para os mutuários em situações insustentáveis”, mas também em restaurar os pagamento do crédito em atraso em outros casos de incumprimento.

 

No conjuntos das entidades em situação de incumprimento, os credores destacam a importância das PME, dado o seu “papel fundamental” na criação de emprego. O relatório congratula ainda a recente aprovação da legislação que veio reforçar os poderes de supervisão do banco central irlandês e os progressos feitos na especificação das etapas do diagnóstico de supervisão que devem ser realizadas para avaliar os balanços dos bancos.

 

Para além das soluções que precisam de ser encontradas para regularizar a grande quantidade de crédito mal parado dos bancos da Irlanda, os principais assuntos discutidos nesta penúltima avaliação centraram-se nas melhores maneiras de abordar o défice orçamental e a elevada taxa de desemprego.

 

Um dos principais desafios apontados pela troika continua a ser a redução do desemprego, que atingia cerca de 13,6% da população activa, segundo os últimos dados disponibilizados pelo Eurostat, que dizem respeito a Maio. Desta forma, o FMI, BCE e CE aconselham a “reafectação pontual de funcionários com capacidades e experiência adequadas” em empregos criados pelo sector privado. Ainda assim, o relatório indica que a taxa de desemprego caiu para o nível mais baixo dos último três anos e que o mercado laboral começa a dar sinais de melhoria.

 

Sobre a retoma do crescimento económico, as entidades credoras referem que os últimos dados apontam para uma “recuperação económica mais lenta do que o inicialmente esperado”. Ainda assim, é esperado um “crescimento modesto” da economia irlandesa este ano devido a uma melhoria do mercado externo e da estabilização do mercado interno.

 

O documento refere ainda que a execução orçamental na primeira metade do ano está no “bom caminho”, mas que não deve ser descurada a importância de manter uma gestão cuidadosa e pró-activa do orçamento para conter a despesa com as dotações para os restantes meses do ano e para garantir que as metas anuais do orçamento são atingidas.

 

O desfecho positivo desta décima primeira avaliação vai permitir à Irlanda receber mais uma tranche do financiamento concedido pelo Programa de Assistência Económica e Financeira, um montante de 2,3 mil milhões de euros provenientes do Fundo Europeu de Estabilização Financeira, 800 milhões de euros do FMI e 300 milhões de outros credores, num total que ascende a 3,4 mil milhões de euros.

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