Zona Euro Tsipras recebe cheque, demite-se e pede novas eleições

Tsipras recebe cheque, demite-se e pede novas eleições

No rescaldo, o líder do Nova Democracia anunciou que tentará aliança minoritária com o Pasok e o To Potami para evitar eleições antecipadas. Europa espera solução de governo comprometida com novo memorando. Moody's avisa que financiamento do Estado grego fica em risco com vazio de poder.
Tsipras recebe cheque, demite-se e pede novas eleições
Bloomberg
Eva Gaspar 21 de agosto de 2015 às 00:01

Sete meses depois de tomar posse, o primeiro-ministro grego abriu caminho à possibilidade de serem convocadas eleições antecipadas. Falando ao país, Alexis Tsipras confirmou na tarde desta quinta-feira, 20 de Agosto, que submeteu o pedido de demissão ao Presidente da República, e defendeu uma nova chamada às urnas o mais rapidamente possível, em alternativa uma possível solução de governo dentro do actual quadro parlamentar.

 

A bola está agora nas mãos de Prokopis Pavlopoulos, conservador eleito com o apoio do Syriza e do Anel, partidos da coligação de extrema esquerda e direita formada após as eleições de 25 de Janeiro, que agora se desfaz. No rescaldo, Evangelos Meimarakis, o recém-empossado líder do Nova Democracia, anunciou que irá iniciar conversações com Pasok (socialistas) e com o To Potami (novo partido pró-europeu) para tentar uma aliança de Governo, que na aritmética ditada pelas eleições de 25 de Janeiro seria minoritária: 106 lugares num total de 300 do Parlamento. Segundo a Constituição grega, em caso de demissão ou queda do Governo, o Presidente da República tem de explorar as possibilidades de solução de Governo dentro do quadro parlamentar vigente, devendo consultar o segundo partido mais votado, no caso o Nova Democracia, que dispõe de três dias para responder.

 

As sondagens continuam a dar favoritismo a Tsipras que apelou a eleições antecipadas, depois de ter explicado a sua demissão e o desejo implícito de ser reeleito com a necessidade de voltar a consultar o eleitorado sobre as condições que negociou no novo memorando a troco de um empréstimo de até 86 mil milhões de euros dos parceiros europeus, o terceiro desde 2010.

 

Numa comunicação ao país, reconheceu que as medidas não são as queria, mas disse serem menos gravosas do que as pretendidas pelos credores e prometeu melhorá-las, designadamente no que respeita às regras de contratação e alívio futuro da dívida pública. "Sei que não conseguimos tudo o que prometemos ao povo grego, mas salvámos o país, dizendo à Europa que a austeridade deve terminar".

 

Numa crítica explícita à ala mais à esquerda do Syriza, disse que teve de resistir à "exigência de que voltássemos ao dracma de pessoas que estão no seio do nosso próprio partido" e, posicionando-se ao centro, disse que teve também de resistir aos que queriam manter o "velho sistema".

Alexis Tsipras venceu as eleições de Janeiro com a promessa de manter a Grécia no euro, acabar com a austeridade, travar e desfazer algumas privatizações, aumentar o salário mínimo, convencer os credores a perdoar "a maior parte" da dívida e livrar o país da troika – de novos empréstimos externos e respectivas condições (memorandos).

 

O anúncio da demissão ocorreu no dia em que chegou a Atenas a primeira parcela do terceiro resgate, mediante o qual os parceiros europeus se dizem disponíveis para nos próximos três anos emprestar ao Estado grego mais 86 mil milhões de euros (acresce aos cerca de 200 mil milhões emprestados deste 2010) a troco de um pacote de austeridade e de reformas económicas que é praticamente o negativo do programa eleitoral com que o líder do Syriza se elegeu há seis meses.

 

Antecipar eleições em Atenas pode servir melhor a ambição de reeleição de Tsipras, ainda líder de popularidade mas com a curva a descer, embora aumente o risco de comprometer a execução de medidas previstas no memorando de entendimento. "A iniciativa do primeiro-ministro grego pode elevar as preocupações sobre a implementação do programa e, potencialmente, por o financiamento do Estado em risco", advertiu a agência de rating Moody’s, citada pelo Guardian.

 

Da Europa, as reacções foram parcas, mas no sentido de esperar que uma futura solução de governo seja comprometida com o cumprimento das condições que acabam de ser negociadas pela Grécia a troco do terceiro empréstimo em cinco anos.



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