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Tsipras convoca conselho de ministros extraordinário. Referendo pode estar na agenda

Tsipras deverá apresentar aos seus ministros o acordo que está disponível para fazer com a troika, não sendo de excluir que aborde a questão do referendo. A imprensa grega e os analistas consideram ser quase inevitável que um acordo entre a Grécia e Bruxelas vá a votos.

6 de Março – Tsipras em entrevista à Der Spiegel

“O BCE continua a ter a corda no nosso pescoço. Grécia não quer deixar a Zona Euro porque amo a Europa”.
Bloomberg
Eva Gaspar egaspar@negocios.pt 12 de Maio de 2015 às 11:43
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Alexis Tsipras convocou uma reunião de extraordinária do conselho de ministros para esta terça-feira. O encontro vai decorrer à tarde, numa altura em que os cofres do país estão à beira da ruptura e continuam a decorrer as negociações entre Atenas e os parceiros europeus sobre as medidas que o país tem de implementar para receber novas transferências da troika.

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, convocou os ministros que compõem o seu Executivo para uma reunião às 12h, hora de Lisboa, de acordo com o Guardian.

 

O mesmo jornal adianta que Tsipras deverá apresentar aos seus ministros o acordo que está disponível para fazer com a troika, não sendo de excluir que aborde a questão do referendo. A imprensa grega e os analistas consideram ser quase inevitável que um acordo entre a Grécia e Bruxelas vá a votos.

 

Quatro meses depois de ter chegado ao poder com a promessa de acabar com a austeridade, dispensar mais empréstimos e manter o país no euro, o choque com as circunstâncias poderá forçar o governo grego a consultar de novo o eleitorado.

Fazer um referendo sobre o euro, apresentando aos gregos as condições para aí se manterem, é uma possibilidade que tem sido admitida pelo primeiro-ministro Alexis Tsipras, que foi discutida no seio do Syriza neste fim-de-semana e que, desde ontem, passou a contar com um apoiante de peso: Wolfgang Schäuble.

 

Questionado pelos jornalistas à chegada de mais um encontro do Eurogrupo sobre a Grécia que se revelou amplamente inconclusivo, o ministro alemão das Finanças mostrou-se favorável à possibilidade de o governo grego voltar a consultar o eleitorado. "Se a Grécia quiser fazer um referendo, então que o faça". O ministro disse que a Alemanha e os outros países da Zona Euro "querem ajudar a Grécia", mas é preciso que o país faça "a sua parte" porque as opções de fundo estão nas suas mãos. Nesse contexto, um referendo talvez fosse esclarecedor. "Poderá ser acertado perguntar ao povo grego para que decida se está disposto a aceitar o que é necessário [para permanecer no euro] ou se quer uma alternativa", disse Schäuble.

 

O Syriza chegou ao poder há quatro meses prometendo acabar com a austeridade e dispensar novos resgates, mas nenhuma dessas promessas parece ter pernas para andar se o plano passar por manter a Grécia no euro, como continua a ser o desejo de mais de 75% da população, segundo confirmam as mais recentes sondagens. Novas medidas de austeridade estão a ser reclamadas pela troika a troco da última parcela de 7,2 mil milhões de euros do actual pacote de assistência financeiras que expira no fim de Junho. E o governo grego não faz segrego de que quer negociar, o quanto antes, um novo programa - que designa de "contrato de crescimento" - para garantir as necessidades financeiras dos próximos três a quatro anos. "Se no final eu tiver um acordo que me coloca nos limites, não vou ter outra solução. O povo vai decidir, obviamente sem eleições", afirmou Tsipras em Abril.

 

Em Bruxelas, admite-se que manter a Grécia no euro exija um novo empréstimo da ordem de 40 mil milhões de euros, a acrescentar aos 240 mil milhões recebidos desde 2010.  "Um referendo é uma decisão que cabe ao governo grego, que é soberano. A única coisa que temos de ter em conta é que um referendo consome tempo e temos de ver qual será a pergunta", comentou ontem o ministro espanhol das Finanças, Luis de Guindos. "Nós queremos ser construtivos, mas dentro das regras", acrescentou.

 

"Se [referendos] são necessários e úteis é uma decisão nacional", afirmou, por seu turno, Jeroen Dijsselbloem, ministro holandês das Finanças e presidente do Eurogrupo. Já o ministro grego das Finanças, que no passado admitiu um referendo ou mesmo eleições antecipadas, disse ontem que "em termos genéricos, é uma opção que está sempre disponível". "Mas neste momento não está no nosso radar", disse Yanis Varoufakis.

 

Já no final de 2011, o então primeiro-ministro grego, George Papandreou, sugeriu um referendo sobre o pacote de medidas de austeridade que acompanhou o segundo resgate. Nessa altura, a sua intenção foi fortemente contestada pelos parceiros europeus, segundo os quais a consulta teria de incidir sobre a permanência da Grécia no euro e não sobre as condições impostas pela comunidade internacional para continuar a conceder empréstimos ao país. O plano acabou por ser abandonado, em resultado de grande contestação também interna.

 

Em relação ao curtíssimo prazo, o Eurogrupo de ontem reconheceu que as negociações com o governo grego estão agora a correr melhor depois das mexidas decididas por Tsipras, que optou por diluir o protagonismo de Varoufakis. Mas os parceiros europeus voltaram a advertir que são precisos "mais esforços", designadamente sobre a reforma das pensões, para alcançar um acordo global, sem o qual não há transferências para os cofres cada vez mais vazios de Atenas. 

 

Questionado sobre se ainda tem dinheiro nos cofres para pagar credores, salários e pensões, Varoufakis voltou a não falar de números mas reconheceu que a situação de liquidez no país é "grave", tendo acrescentado que espera vê-la resolvida "nas próximas semanas".

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