Zona Euro Tsipras e Renzi em sintonia na luta contra a austeridade por uma "Europa de crescimento"

Tsipras e Renzi em sintonia na luta contra a austeridade por uma "Europa de crescimento"

O primeiro-ministro grego foi até Roma para encontrar na capital italiana um aliado na luta por uma Europa que olhe mais para o crescimento e menos para a austeridade. Tsipras mostrou satisfação por Atenas e Roma falarem "a mesma língua".
Tsipras e Renzi em sintonia na luta contra a austeridade por uma "Europa de crescimento"
Reuters/Remo Casilli
David Santiago 03 de fevereiro de 2015 às 20:25

O percurso de Alexis Tsipras, primeiro-ministro grego, passou esta terça-feira por Roma, onde esteve reunido com o seu homólogo italiano Matteo Renzi. Os dois governantes demonstraram uma clara comunhão de ideias no que diz respeito ao que pretendem para o futuro da Europa. "Devemos fazer a Europa falar em crescimento e não só em austeridade", proclamou o líder italiano.

 

Na mesma toada, Tsipras mostrou a sua satisfação: "Com Roma falamos a mesma língua, a língua da verdade". O político grego referia-se ao facto de tanto Atenas como Roma sustentarem a necessidade de a Europa mudar de rumo, apostando no crescimento em vez de seguir uma lógica assente na inevitabilidade da austeridade.

 

Depois de comungarem na importância de "um pacto pelo crescimento", Renzi defendeu que "não se constrói uma estratégia de crescimento sobre planos de austeridade".

 

Apesar da instabilidade sentida após a vitória do Syriza nas legislativas helénicas de 25 de Janeiro, estes dirigentes políticos sustentam que a vitória da coligação de esquerda radical é um sinal de esperança para a Europa e não um sinal de divisão.

 

"Devemos ler nas eleições gregas uma mensagem de esperança de uma geração que pede mais atenção por quem mais sofre com a crise", afirmou Matteo Renzi.

 

"Com o novo Governo não há razão para ter medo", assegurou o líder grego que nota que "havia razões para ter medo se tivéssemos que contrair novos empréstimos". Na mesma linha, o primeiro-ministro transalpino insistiu que "o sucesso do Syriza é um sucesso baseado na esperança e não no medo". 

 

O "político vezloz", como Renzi é conhecido em Itália, aproveitou a ocasião para deixar uma mensagem de tranquilidade às restantes capitais europeias. Primeiro reafirmou que as regras definidas pelo pacto de estabilidade e crescimento são para cumprir, lembrando depois que Atenas deverá prosseguir o caminho das necessárias reformas estruturais.

 

"É necessário, tanto na Itália como na Grécia, [continuar o caminho das] reformas estruturais", reconheceu Renzi que acrescentou que "as regras são para respeitar". Todavia, seguindo a toada anteriormente exposta, o chefe do Executivo italiano precisou que tais reformas e rigor orçamental devem ser feitos "com a necessária flexibilidade e inteligência". "O grande desafio que temos pela frente é o de fazer respirar na Europa um ideal comum", rematou.

 

Em relação à prossecução de reformas adicionais, por exemplo exigidas pela troika para libertar a última tranche prevista no programa de assistência financeira à Grécia, que foi prolongado até final de Fevereiro precisamente pela divergência quando ao alcance das reformas previstas no orçamento do Estado para 2015, Tsipras voltou a pedir tempo para "preparar o nosso plano para reorientar a nossa economia".

 

Proposta de Varoufakis "é boa para todos"

 

Instados a comentar a proposta revelada esta segunda-feira por Yanis Varoufakis, ministro das Finanças grego, ao britânico Financial Times, tanto Tsipras como Renzi preferiram não se alongar. Varoufakis propõe uma substituição da dívida pública helénica por obrigações indexadas ao crescimento da economia e também por obrigações perpétuas.

 

"Não discutimos os méritos de propostas individualmente", começou por esclarecer Renzi que ainda assim reforçou que ambos trataram de encontrar "um princípio político de fundo". Já o político grego preferiu referir que esta é uma "proposta de novas ideias com as que pretendemos encontrar soluções boas para todos". 

 

O alinhamento entre os dois líderes políticos ficou patente ainda quando Matteo Renzi disse esperar "que esta situação de emergência seja enfrentada na sede própria, que é nas instituições europeias", coadjuvado por Tsipras que sublinhou a importância de uma "cooperação entre [os países] do Norte e os do Sul da Europa".

 

Uma das diferenças entre Renzi e Tsipras está relacionada com o facto de apenas o político transalpino usar gravata. Tsipras chegou mesmo a prometer, durante a última campanha eleitoral, que mesmo que fosse eleito primeiro-ministro não vestiria gravata. Tendo entretanto prometido que usaria este adereço se e quando a crise grega fosse ultrapassada. 

 

Conhecedor desta realidade, Renzi ofereceu "uma pequena prenda" a Tsipras, explicando que quando a crise for ultrapassada "use uma gravata italiana". Tsipras, notoriamente surpreendido, ripostou: "Prometo usar esta gravata quando encontrarmos uma solução para a Europa." 

 

(Notícia actualizada às 22h com mais informações )




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