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Tsipras promete referendo se acordo com Bruxelas for além do mandato conferido ao Syriza

O primeiro-ministro grego promete realizar um referendo caso um acordo com os credores vá além do mandato conferido pelos eleitores ao Syriza. Tsipras deixa cair a possibilidade de eleições antecipadas, num momento em que o apoio interno ao Governo está a diminuir.

15 de Junho – Tsipras em entrevista a um jornal grego, onde anuncia que vai esperar “pacientemente” que os credores se tornem “realistas”.
“Só se podem encontrar motivos políticos na insistência dos credores em novos cortes nas pensões depois de cinco anos de saques, sob o memorando”
Bloomberg
David Santiago dsantiago@negocios.pt 28 de Abril de 2015 às 14:31
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O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, garantiu, esta segunda-feira, que promoverá a realização de um referendo se um eventual acordo com os credores for atingido e se este ultrapassar o mandato atribuído pelos eleitores gregos ao Syriza nas eleições de 25 de Janeiro último.

 

"Se no final eu tiver um acordo que me coloca nos limites, eu não vou ter outra solução. O povo vai decidir, obviamente sem eleições, eu quero tornar isso claro", afirmou Tsipras numa entrevista concedida ao canal televisivo Star TV. Portanto, Tsipras promete referendar um eventual acordo que venha a ser alcançado com os credores.

 

Contudo, esta posição assumida pelo líder do Governo de coligação grego vem contrariar, em parte, a indicação dada, em mais do que uma ocasião, pelo seu ministro das Finanças. Yanis Varoufakis garantia, em Março, que se os parceiros europeus e as instituições credoras não aceitassem a lista de reformas então apresentada por Atenas, o Executivo grego poderia ver-se obrigado a realizar o dito referendo ou mesmo a convocar eleições antecipadas.

 

"Se necessário, caso encontremos uma posição de irredutibilidade, em último recurso recorreremos ao povo grego seja através de eleições ou de um referendo", disse Varoufakis numa entrevista ao Corriere della Sera, a 8 de Março, já depois das negociações no Eurogrupo que decorreram no final do mês de Fevereiro.

 

Estas palavras referiam-se também a uma intenção de Tsipras, pelo menos segundo dito pelo próprio Varoufakis. Nessa entrevista ao jornal italiano, o ministro das Finanças referia a possibilidade de eleições ou de um referendo, realçando que "tal como disse o primeiro-ministro, nós não estamos agarrados aos lugares".

 

A posição de Atenas era então a de que se para assegurar um acordo com as instituições credoras tivessem de ceder face às promessas eleitorais constantes do programa de Salónica, então o Executivo liderado pelo Syriza seria obrigado a dar novamente a palavra ao povo grego. Tanto Tsipras como Varoufakis sublinharam repetidas vezes a impossibilidade de ultrapassar o mandato conferido pelos eleitores.

 

O Guardian escreve, porém, que a ideia de avançar com um referendo poderá não ser praticável. Segundo este jornal britânico, a Constituição helénica prevê referendos em matérias de interesse nacional e de questões sociais, mas não sobre questões orçamentais.

 

Ainda assim, as diferenças entre Atenas e os parceiros parecem residir, essencialmente, no que concerne às políticas em matéria laboral, às privatizações pretendidas pelas autoridades helénicas e a algumas medidas relacionadas com políticas de apoio social.

 

Mas deixar cair a possibilidade de eleições antecipadas é uma decisão que surge numa altura em que o apoio interno ao Executivo grego, e à forma como tem conduzido as negociações com as instituições credoras, está a diminuir. Uma sondagem da Alco divulgada no fim-de-semana mostrava que se não for alcançado um acordo, 50% dos inquiridos defendem que o governo faça cedências, e 36% são a favor de uma ruptura.

 

Já na semana passada, uma sondagem da Universidade da Macedónia mostrava que a taxa de aprovação da estratégia negocial adoptada por Tsipras e Varoufakis tinha caído dos 72% registados em Março para 45,5% em Abril.

 

Perante estes dados e confrontado com as crescentes críticas à forma como Varoufakis tem conduzido as negociações com os seus congéneres, cujo ponto alto foi atingido na sexta-feira passada na reunião do Europgrupo em Riga, capital letã, Tsipras decidiu, esta segunda-feira, reformular a equipa responsável por conduzir as negociações.

 

Apesar de Varoufakis, que Tsipras qualificou ontem como "activo valioso", continuar a supervisionar o processo, a responsabilidade de coordenação e ligação com o primeiro-ministro será assegurada por Euclid Tsakalotos, um economista que desempenha actualmente a função de vice-ministro dos Negócios Estrangeiros.

 

Na entrevista à Star TV, Tsipras garantiu que um acordo deverá estar próximo. Convicção provavelmente reforçada pela decisão, tomada no domingo, de Tsipras e a chanceler alemã, Angela Merkel, manterem doravante um contacto directo e regular que permita ultrapassar os potenciais obstáculos com que as equipas de negociação ao nível técnico se venham a deparar.

 

O ministro austríaco das Finanças, Hans Joerg Schelling, disse esta terça-feira esperar que um acordo possa agora ser facilitado pela nova equipa de negociação grega, esperando que "não comecemos novamente do zero" porque "é preciso chegar rapidamente" a um acordo final.

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