Zona Euro Tspiras vê crescimento de 3% e alívio de dívida em 2017

Tspiras vê crescimento de 3% e alívio de dívida em 2017

O governo grego acredita que a primeira avaliação do programa de ajustamento deste terceiro resgate vai ser definitivamente concluída no próximo mês, abrindo caminho ao recebimento de mais um cheque e de propostas mais concretas de alívio da dívida pública.
Tspiras vê crescimento de 3% e alívio de dívida em 2017
Reuters
Eva Gaspar 29 de setembro de 2016 às 11:43

O primeiro-ministro grego acredita que a economia grega cresça 3% no próximo ano e que, até ao fim de Outubro, será possível fechar com a troika a primeira avaliação da implementação do programa de ajustamento associado ao terceiro resgate, abrindo caminho a um compromisso mais firme dos parceiros europeus com vista ao alívio da dívida grega, que ronda actualmente os 180% do PIB.

Falando no Parlamento grego, Alexis Tsipras afirmou estar convicto de que o pacote de medidas de liberalização do mercado de trabalho vai ser aprovado em tempo útil, permitindo à Grécia receber em breve uma nova fatia do empréstimo europeu, de 2,8 mil milhões de euros.


Citado pela Bloomberg, o responsável disse que a economia está a reagir bem ao programa de ajustamento, salientando a queda da taxa de desemprego (que ainda permanece próximo de 25%) e a perspectiva de aceleração da actividade económica, antecipando que, após dois anos de recessão, o crescimento acelerará para 3% no próximo ano, valor que não fica distante da previsão de 2,7% realizada pela Comissão Europeia na Primavera.


Em entrevista à CNBC, o ministro da Economia, Giorgos Stathakis, expressou idêntica mensagem de optimismo, considerando que o governo está a fazer progressos na implementação do programa de resgate e a seguir as políticas correctas, desvalorizando as pesquisas de opinião que sinalizam um declínio acentuado no apoio ao Syriza e os atrasos recorrentes na aprovação das medidas acordadas com a troika.


"O governo pode ser criticado pela combinação de políticas e em relação a uma série de questões, mas estamos comprometidos com a implementação do acordo de resgate", garantiu, acrescentando que, não obstante a queda de popularidade e as sondagens darem já vantagem ao Nova Democracia, o maior partido da oposição, o Executivo tencionar "completar o período de quatro anos, que é o mandato dado pelo eleitorado nas últimas eleições".


Sobre a combinação de políticas que está a ser seguida por Atenas, Stathakis defendeu a opção de aumentar os impostos, em vez da despesa pública, para reduzir o défice, que deverá ficar neste ano em torno de 3% do PIB. "Considerámos que não era possível fazer mais cortes no sector público – os ordenados e os salários foram reduzidos em 40% nos últimos três ou quatro anos e as despesas públicas em educação e saúde tinham alcançado um nível já baixo -  e decidimos fazer um ajustamento mais gradual e aumentando a tributação onde ela tem menos impacto, nas camadas mais ricas da nossa sociedade", afirmou.

Há pouco mais de um ano, o governo grego pediu um novo resgate (o terceiro desde 2010) aos parceiros europeus no valor de 86 mil milhões de euros, depois de quase oito meses de impasse que levou ao fecho dos bancos e a uma acentuada degradação da economia, e de um referendo, promovido pelo Syriza, através do qual os gregos rejeitaram mais medidas de austeridade. 


Falando neste semana em Riga, capital da Estónia, Valdis Dombrovskis, vice-presidente da Comissão Europeia, responsável pelo euro, disse que a Grécia está a suportar um programa de austeridade mais exigente do que teria sido necessário devido ao populismo do governo de Alexis Tsipras em 2015.

 

Em que pé está a discussão sobre a dívida grega? Em Maio, um grupo de trabalho do euro foi mandatado para aprofundar as discussões sobre o alívio da dívida grega que terão de respeitar "duas linhas vermelhas": não haverá "haircuts", ou seja, não haverá perdão de dívida, mas também não será exigido a Atenas "nem mais nem menos" do que foi acordado no Verão em termos de reformas no funcionamento da economia e de metas para a consolidação orçamental, designadamente a manutenção um excedente primário de 3,5% do PIB no "médio prazo". 

O que está assim em cima da mesa – tal como vinha sendo prometido pelo Eurogrupo desde 2013 – são períodos mais longos de carência e para o reembolso dos empréstimos, que "entrarão em vigor no fim do programa [2018] e na condição de o programa ser cumprido nos termos acordados no Verão – nem mais nem menos", sublinhou Dijsselbloem.

O alívio da dívida grega, que estará a caminho dos 200% do PIB, é uma condição essencial para que o FMI volte a financiar a Grécia no âmbito deste terceiro resgate, sendo o pleno envolvimento do Fundo uma condição, por sua vez, essencial para alguns países do euro, em especial a Alemanha. 

O FMI voltou, porém, já neste mês de Setembro, a pressionar os parceiros europeus da Grécia para concederem "um alívio adicional da dívida" pública do país e reverem em baixa os objectivos de excedente orçamental. "Mesmo no caso de aplicar integralmente" as medidas de austeridade e as reformas indicadas ao país, "a Grécia precisa de um alívio da sua dívida e de objectivos orçamentais e de crescimento credíveis", conclui o relatório sobre o país, considerando "irrealista" o objectivo de excedente orçamental primário (sem os encargos com a dívida) de 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) fixados pela zona euro a partir de 2018.

 






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