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Tspiras reúne cúpula do Syriza com hipótese de referendo à espreita

Em vésperas da reunião do Eurogrupo, o encontro deverá contar com a presença do primeiro-ministro Alexis Tsipras, num contexto em que são cada vez mais os deputados e membros da coligação da esquerda radical que defendem a necessidade de "um qualquer acordo" ser referendado pelos gregos.

Reuters
Eva Gaspar egaspar@negocios.pt 07 de Maio de 2015 às 16:34
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Em vésperas da reunião do Eurogrupo, o secretariado político do Syriza reúne-se nesta sexta-feira para tentar acertar agulhas sobre as novas concessões, designadamente em matéria de reforma do sistema pensionista, que o Governo grego terá de fazer para tentar chegar a acordo com os credores europeus e com o FMI, de modo a receber a última fatia do actual resgate e condições mais favoráveis de concessão de liquidez à banca helénica por parte do Banco Central Europeu (BCE).

 

Escreve o Kathimerini que o encontro deverá contar com a presença do primeiro-ministro Alexis Tsipras, num contexto em que são cada vez mais os deputados e membros da coligação da esquerda radical que defendem a necessidade de "um qualquer acordo" ser referendado pelos gregos.

 

Perante os fracos resultados da mediação do ministro das Finanças Yanis Varoufakis, Alexis Tsipras têm-se envolvido crescentemente nas negociações com os credores, à medida que se agrava a crise de liquidez do Estado e dos bancos gregos. Ontem, o primeiro-ministro helénico falou ao telefone com o presidente da Comissão Europeia, tendo sido divulgada de seguida uma declaração conjunta, na qual Alexis Tsipras e Jean-Claude Juncker dizem ter falado da reforma do sistema pensionista e do mercado de trabalho – temas que têm suscitado posições muito divergentes entre Atenas e a troika.

 

Ainda não é claro se o governo recuou, designadamente nos seus planos de aumentar pensões e de restabelecer a negociação salarial colectiva, como noticia a imprensa. Hoje, um porta-voz do Executivo, Gabriel Sakellaridis, afirmou que Atenas não abdicou das suas "linhas vermelhas" e que "não pode existir a expectativa de que o Governo irá recuar em todas as matérias". Não obstante, escreve ainda o mesmo jornal ateniense, "os membros do Syriza estão a tomar consciência de que o governo terá de recuar em muitas das promessas eleitorais" pelo que "há um sentimento forte dentro do partido que deve haver um referendo sobre o acordo final entre a Grécia e as instituições".  

Não pode existir a expectativa de que o Governo irá recuar em todas as matérias. 
Gabriel Sakellaridis

Esse acordo final poderá, no entanto, não ser obtido na reunião do Eurogrupo de segunda-feira. Varoufakis, que está a realizar um mini-périplo europeu, disse hoje que um acordo está "muito mais próximo" mas no início desta semana dissera esperar que esse encontro sirva de "plataforma" para chegar a uma "espécie de acordo" para solucionar "não apenas as actuais negociações actuais", mas também "levar a um período pós-Junho que possibilite que a economia grega recupere e volte a crescer".

 

Varoufakis quer sobretudo garantias de que haverá um terceiro resgate – ao qual chama de "contrato" -  para suceder ao segundo, que expira no fim de Junho e no âmbito do qual ainda sobram 7,2 mil milhões de euros. Mas 100 dias depois do Syriza ter tomado o poder e perante o desacordo que persiste sobre as condições que a Grécia tem de cumprir para receber esta última fatia do segundo resgate "é difícil falar do futuro sem termos um acordo para quatro meses", advertiu Jeroen Dijsselbloem. O presidente do Eurogrupo falava no final do último encontro, que decorreu em Riga, e durante o qual, contava a Bloomberg, Varoufakis terá sido "martelado" pelos seus colegas devido à falta de progressos nas negociações, e acusado de ser "amador", "jogador" e de "desperdiçar tempo". 

 

Acordo de mínimos para agradar ao BCE

 

Segundo o que afirmou hoje o porta-voz do governo grego Gabriel Sakellaridis, o Eurogrupo de segunda-feira deverá reconhecer progressos nas negociações, dando ao BCE condições para aliviar as restrições financeiras, permitindo nomeadamente aos bancos gregos comprar mais dívida de curto prazo emitida pelo Governo, que tem de pagar 750 milhões de euros ao FMI no dia seguinte, e salários e pensões.

 

As expectativas de Atenas poderão, no entanto, estar excessivamente elevadas. De acordo com duas fontes ligadas à autoridade monetária europeia, citadas pela Reuters, o BCE quer que sejam alcançados progressos concretos no próximo encontro do Eurogrupo, caso contrário ponderará, ao invés, restringir o acesso dos bancos gregos à liquidez de emergência fornecida pela autoridade monetária.

 

Nesta quarta-feira, o BCE voltou a aumentar a linha de liquidez de emergência para a banca grega, desta vez em 2 mil milhões de euros para um total de 78,9 mil milhões de euros. Muitos dos membros do conselho de governadores do BCE terão argumentado que seria um contra-senso restringir o acesso à liquidez em véspera de um Eurogrupo, refere a Reuters.

 

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