Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Eurogrupo e Grécia não chegam a acordo

A primeira reunião do Eurogrupo desde a tomada de posse do Executivo liderado por Alexis Tsipras na Grécia não permitiu estabelecer um acordo conjunto. Jeroen Dijsselbloem garantiu que houve "progressos" mas “não houve conclusões unânimes". Novas conversações ficam marcadas para a próxima segunda-feira.

David Santiago dsantiago@negocios.pt 11 de Fevereiro de 2015 às 23:35
  • Assine já 1€/1 mês
  • 11
  • ...

"Houve progressos, mas não os suficientes para chegarmos a conclusões conjuntas". Foi assim que Jeroen Dijsselbloem, ministro holandês das Finanças e presidente do Eurogrupo, resumiu a reunião de hoje dos ministros das Finanças da Zona Euro, que se encontraram extraordinariamente para debater a situação da Grécia.

 

Apesar dos "progressos" alcançados, que Dijsselbloem optou por não especificar, o governante holandês explicou que devido ao facto de não ter havido "conclusões unânimes", também não poderia "haver um comunicado conjunto".

 

Após longas horas de negociações, que também contaram com a presença da líder do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, ao longo das quais foram surgindo, na imprensa, informações díspares, umas dando conta de um princípio de acordo conjunto, outras negando tal possibilidade, Jeroen Dijsselbloem reconheceu que "avançámos muito caminho, mas não o suficiente".

 

Pedindo paciência aos jornalistas pela ausência de conclusões após longas horas de reunião dos responsáveis pelas Finanças dos Estados-membros do euro, Dijsselbloem anunciou que "iremos continuar a discutir na próxima segunda-feira".

 

Dijsselbloem assumiu, contudo, que foram discutidos vários pontos, entre os quais "o programa [de assistência financeira] que está em curso [na Grécia] e que termina em Fevereiro", adiantando ainda que foi discutido "um eventual prolongamento".

 

Por fim, o líder do Eurogrupo reconheceu que "era minha ambição acordar os passos a tomar nos próximos dias", mas "infelizmente não chegámos a uma base comum". Primeiro "tem de haver um acordo político", antecipou Dijsselbloem notando que só depois disso será possível prosseguir com os detalhes mais técnicos tendo em vista a concretização de um acordo que satisfaça ambas as partes envolvidas nesta negociação.

 

O ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, havia afirmado, na semana anterior, que a Grécia se recusava a "prolongar um erro", fazendo referência às medidas inscritas no segundo memorando de entendimento negociado com a troika. Entretanto, já esta segunda-feira, o mesmo Varoufakis anunciou que a Grécia estaria disposta a aplicar 70% das reformas prescritas no memorando.

 

O programa de assistência grego, que terminava em Dezembro de 2014, foi prolongado por dois meses, até dia 28 de Fevereiro, devido a diferenças entre os parceiros da troika e o Executivo grego então liderado pelo primeiro-ministro conservador Antonis Samaras.

 

Ainda em Dezembro, a troika considerou que o Orçamento do Estado grego para 2015 não contemplava uma execução de reformas estruturais compatível com os objectivos anteriormente negociados. Assim, a última tranche, de 7,2 mil milhões de euros, prevista no programa de assistência à Grécia, não foi libertada, ficando o seu desbloqueamento dependente de uma posterior renegociação já com o novo Governo helénico resultante das legislativas antecipadas para 25 de Janeiro.

 

Varoufakis já reiterou que Atenas não pretende receber estes 7,2 mil milhões de euros da troika, pedindo em troca o apoio europeu para a emissão de 8 mil milhões de euros em bilhetes do tesouro. À saída do encontro que se prolongou pelo início da madrugada desta quinta-feira, Varoufakis, segundo escreve a agência Bloomberg, terá assegurado que Atenas nunca iria aceitar permanecer sob as condições preconizadas no actual programa da troika. 

 

Lagarde anuncia novidades para esta quinta-feira sobre apoio à Ucrânia 

 

Houve ainda espaço para os jornalistas questionarem a antiga ministra das Finanças francesa sobre se o Fundo já aceitou disponibilizar um novo apoio financeiro à Ucrânia, país que se encontra em guerra civil. 

 

Lagarde anunciou que esta quinta-feira dará uma conferência de imprensa onde serão esclarecidas todas as dúvidas sobre esse assunto. No final do mês de Janeiro, Kiev solicitou junto do FMI um novo empréstimo, a juntar ao apoio garantido em Março de 2014.

 

A instituição liderada por Lagarde, que no ano passado assegurou um empréstimo entre 14 e 18 mil milhões de dólares à Ucrânia, pretende que Kiev cumpra o plano reformista acordado, nomeadamente no que concerne ao combate à corrupção, de forma a poder negociar um novo empréstimo.

 

(Notícia actualizada pela última vez às 00h50)

Ver comentários
Saber mais Eurogrupo Grexit euro Grécia sair
Outras Notícias