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Varoufakis avisa que não está a fazer bluff. Há aspectos de que não vai abdicar

Sejam quais forem as consequências, há factores a que Yanis Varoufakis não vai renunciar nas negociações com os parceiros europeus, segundo disse num artigo de opinião no "New York Times". O ministro grego recorre ao alemão Kant para mostrar que está a fazer apenas o que é "certo".

Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 16 de Fevereiro de 2015 às 14:07
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Antes da reunião que diz ser crucial, em que se vai voltar a discutir um acordo para o futuro da Grécia com os parceiros europeus, o ministro das Finanças da Grécia escreveu um artigo no "New York Times". Um texto em que Yanis Varoufakis deixa um aviso: "Não é altura para jogos na Europa".

 

No texto de opinião publicado esta segunda-feira, 16 de Fevereiro, Varoufakis recupera a área da matemática em que fez trabalho académico: a teoria dos jogos, em que os "jogadores" andam à procura da melhoria o seu desempenho através de diferentes posições que podem escolher. O governante recupera esta teoria para dizer que recusa a ideia de que está a jogar. Não se está a brincar aos jogos nem a fazer "bluffs". Nem a desenhar "estratagemas", defende. 

 

Há aspectos de que não vai abdicar, frisa Varoufakis no artigo. São as chamadas linhas vermelhas que não quer passar. "As linhas que apresentámos como vermelhas não vão ser ultrapassadas. Se assim fossem, não seriam verdadeiramente vermelhas, seriam apenas um bluff". Uma das linhas é o fim do programa da troika enquanto forma de monitorização, embora o ministro não as enumere.

 

"Devemos desistir, sejam quais forem as consequências, dos acordos que são errados para a Grécia e também para a Europa. O jogo que se iniciou depois de a dívida pública grega se tornar impraticável em 2010 vai terminar. Não há mais empréstimos – pelo menos até que haja um plano credível que permita o crescimento da economia de forma a reembolsar os empréstimos, a ajudar a classe média a voltar a caminhar pelos seus pés e a responder à hedionda crise humanitária. Não há mais programas de 'reforma' cujo centro sejam os pensionistas com baixos rendimentos e as farmácias de propriedade familiar enquanto se deixa a corrupção em larga escapa intocável", escreve Yanis Varoufakis.

 

Daí que o ministro do governo do Syriza, partido de esquerda, diga que não está a pedir aos parceiros para não pagar a dívida. "Estamos a pedir uns meses de estabilidade financeira que nos permita implementar um conjunto de reformas que a população grega consegue suportar, para retornar ao crescimento e acabar com a nossa incapacidade de pagarmos as nossas dívidas".

 

É neste aspecto que Varoufakis refere que "a principal influência aqui é Immanuel Kant". O filósofo alemão "ensinou" que se deve fazer o que está certo. Não se pode ter medo das consequências. E Yanis diz não viver nessa "tirania das consequências". 

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