Zona Euro Varoufakis: Se a Grécia sair do euro, a seguir será Portugal e Itália

Varoufakis: Se a Grécia sair do euro, a seguir será Portugal e Itália

Se a Grécia sair do euro, outros países se seguirão, antecipa o ministro grego das Finanças. Risco de persistência de desacordo sobre o futuro do país subiu: Atenas ainda não terá preparado plano para apresentar ao Eurogrupo desta semana. Mercados continuam a penalizar a Grécia. Reino Unido está a preparar plano de contigência para a saída do país do euro. Alan Greenspan considera que esse desfecho é uma questão de tempo.
Varoufakis: Se a Grécia sair do euro, a seguir será Portugal e Itália
Reuters
Eva Gaspar 09 de fevereiro de 2015 às 13:34

Portugal e Itália podem ser os próximos países a sair do euro se a Grécia acabar por sair da união monetária, antecipa o ministro grego das Finanças. "O euro é frágil, é como um castelo de cartas, se se tirar a carta grega os outros [países] vão entrar em colapso", disse Yanis Varoufakis em entrevista à televisão italiana Rai 3, divulgada no domingo.

"Quero avisar a quem está estrategicamente a pensar amputar a Grécia da Europa que isso é muito perigoso". "Quem será o próximo depois de nós? Portugal? O que vai acontecer quando a Itália descobre que é impossível manter-se dentro da camisa de força da austeridade?", afirmou.


Na mesma entrevista à rede de televisão estatal italiana, Varoukafis havia também afirmado que, por ocasião da sua recente passagem por Roma, "altos funcionários" italianos lhe haviam confessado que a dívida pública italiana tão pouco é sustentável – ou seja, também precisará de ser reestruturada, como o novo governo grego alega ser inevitável no caso da dívida do seu país.  

 

"Eles abordaram-me para mostrar solidariedade connosco, mas disseram que não podiam falar a verdade porque Itália está em risco de insolvência e temem as consequências da Alemanha".  "Uma nuvem de medo tem envolvido toda a Europa nos últimos anos. Em suma, estamos a tornar-nos pior do que a antiga União Soviética", acrescentou Varoufakis.

 

"O que, nós gregos, podemos fazer pela Europa e, especialmente, pela Itália, é abrir uma pequena porta para a verdade. Nós não podemos encontrar a verdade no nosso próprio país, mas podemos abrir uma porta para que possam apoiar-nos. Desta forma, podemos sair da escuridão da austeridade e passar para a luz de uma discussão europeia racional e lógica".

 

Incidente diplomático com Roma

 

A resposta do ministro italiano das Finanças não se fez esperar. Ontem mesmo, Pier Carlo Padoan assegurou que "a dívida italiana é sólida e sustentável. A afirmação de Varoufakis é descabida". A declaração, via twitter, em jeito de desmentido educado, foi seguida de uma outra, em tom mais grave. "Precisamos de soluções europeias assentes na confiança mútua. É nesse sentido que Itália trabalha".

 

Ambas as reacções do ministro italiano e antigo economista-chefe da OCDE deixam no ar a sensação de incidente diplomático e sugerem que, após o périplo de Varoufakis e do primeiro-ministro Alexis Tsipras, a Grécia está isolada na Europa, podendo estar a jogar tudo na expectativa de que a incerteza sobre o futuro do seu país alimente uma vaga de contágio sobre o destino de outros países da periferia do euro.

 

A dívida pública italiana ascende a 132% do PIB, sendo a segunda maior da Zona Euro, apenas superada pela da Grécia que, segundo o novo Governo, passou para de 175% para 180% do PIB entre o fim do ano passado e o início de 2015. Segue-se Portugal, com uma dívida um pouco abaixo de 130%.

 

Tempestade nos mercados ainda focada em Atenas

 

Os mercados continuam, porém, a castigar fundamentalmente a Grécia. Ao fim da manhã, as bolsas europeias recuavam entre 1% (Lisboa) e 2,2% (Madrid). Já a queda em Atenas superava 6,6%. Nos mercados secundários de dívida pública, a pressão é para a alta, mas marginal, à excepção da Grécia.

 

Os "juros" da dívida grega a dez anos sobem 71 pontos base para 10,1%; a três anos, a subida ascende a 360 pontos para 18%. Estes valores comparam com uma taxa de rendibilidade para os títulos a dez anos de 2,4% em Portugal, 1,5% em Itália e 1,2% na Irlanda; a três anos, as "yields" rondam 0,7%, 0,4% e 0,1%, respectivamente.

 

Varoufakis enfrentará nesta quarta-feira, 11 de Fevereiro, os outros 18 ministros das Finanças da Zona Euro numa reunião extraordinária destinada a perceber o que quer a Grécia e o que pode ser aceite pelos demais, sendo elevado o risco de persistência de desacordo. No dia seguinte, reúnem-se em Bruxelas os líderes europeus, numa cimeira que assinalará a estreia de Alexis Tsipras nas andanças das cimeira europeias.  

 

Nesse dia, as obrigações gregas deixarão de ser aceites pelo BCE como colateral (ou garantia) em operações de financiamento à banca da Zona Euro, devido à expectativa de que Atenas esteja a resvalar para uma situação de pré-bancarrota.  Segundo a BBC, o ministro britânico das Finanças, George Osborne, activou o plano de contigência para antecipar os impactos de uma eventual saída da Grécia do euro - cenário que, na opinião de Alan Greenspan, antigo presidente da Reserva federal norte-americana, é agora uma mera "questão de tempo".

 

O programa de assistência da troika à Grécia termina no fim do mês. Atenas diz querer um novo empréstimo-ponte da Europa de 1,9 mil milhões de euros para garantir liquidez e evitar a insolvência até apresentar um "novo acordo global" à Europa possivelmente em Maio. Entretanto, não aceita mais condições e formalizou a intenção de fazer marcha atrás nalgumas medidas incluídas no memorando da troika.

 

Falando no parlamento, o primeiro-ministro Alexis Tsipras prometeu ontem levar por diante o essencial do seu programa eleitoral, designadamente subir de cinco mil para 12 mil euros o limite abaixo do qual os contribuintes ficarão isentos de impostos sobre o rendimento e a aumentar até ao fim do ano do salário mínimo em cerca de 25% para 751 euros.

 

Thomas Wieser, o funcionário austríaco que prepara as reuniões mensais dos ministros do Eurogrupo, esteve novamente nesta segunda-feira em Atenas, acompanhado de Declan Costello, representante da Comissão Europeia. A missão europeia já terá abandonado a capital helénica, frustrada e de mãos a abanar, considerando que o novo governo está a "prometer tudo a todos" e ainda não foi capaz de estabilizar o universo, o custo e o impacto das suas medidas.

 




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