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Varoufakis vê "convergência" nas negociações com credores

O ministro das Finanças da Grécia considera que as diferenças que opunham os credores internacionais e Atenas estão a diminuir substancialmente. Entretanto, Merkel e Alexis Tsipras encontram-se na próxima quinta-feira e Atenas espera o apoio político de Berlim.

Reuters
Ana Laranjeiro alaranjeiro@negocios.pt 22 de Abril de 2015 às 09:14
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As diferenças que opõem Atenas aos credores internacionais estão a desvanecer-se, de acordo com o ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis. "A convergência é absolutamente clara e as instituições admitem-no agora", afirmou esta terça-feira, 21 de Abril, aos jornalistas em Atenas, citado pela Bloomberg.

 

Na última segunda-feira, 20 de Abril, Poul Thomsen, responsável do FMI para a Europa, apontou que, as conversações com Atenas andaram com mais velocidade, mas – adverte – "ainda estamos muito longe da meta".

 

Os dois lados "investiram muito para que um acordo seja alcançado e nem eles nem nós vamos deixar a oportunidade fugir de chegarmos a um acordo que claramente beneficie todos", acrescentou o ministro helénico. Varoufakis assume ainda que se um acordo não for alcançado vai ser uma "catástrofe".

 

De acordo com o jornal grego Kathimerini na versão inglesa, Varoufakis descartou a hipótese que as negociações estejam avançadas ao ponto de um acordo ser assinado na reunião do Eurogrupo, que começa na próxima sexta-feira, 24 de Abril, em Riga, capital da Letónia. "Vai haver um acordo, um acordo amplo", defendeu o ministro da Finanças. "Mas isso não significa que vá haver um acordo no Eurogrupo de sexta-feira", acrescentou. 

 

Estas declarações do titular das finanças helénicas surgem numa altura em que o impasse em torno das negociações entre Atenas e os credores ainda não chegou ao fim. O que impede Atenas de receber financiamento adicional por parte dos parceiros europeus e do FMI no valor de 7,2 mil milhões de euros. Entretanto, os cofres públicos gregos estarão praticamente vazios e aproxima-se a data de mais um reembolso de um empréstimo ao FMI. A 12 de Maio, Atenas tem previsto um pagamento de 770 milhões de euros ao FMI e antes, a 1 de Maio, tem um desembolso de menor dimensão (203 milhões de euros).

 

Neste sentido, na última segunda-feira, 20 de Abril, foi revelado que o Executivo liderado por Alexis Tsipras obrigou as entidades de governo locais a depositarem todas as suas reservas no banco central do país, citando "necessidades extremamente urgentes e imprevistas". Uma decisão que não foi bem recebida pelos municípios helénicos. Esta terça-feira, os municípios e as empresas públicas estiveram reunidos de emergência. Protestam contra a decisão do Governo central de usar as suas reservas financeiras para evitar um incumprimento, ou "default" soberano.

 

Merkel e Tsipras reunidos esta quinta-feira

 

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, vai encontrar-se esta quinta-feira, 23 de Abril, com a chanceler alemã Angela Merkel em busca de apoio político. Segundo o jornal Kathimerini, o encontro vai ter lugar à margem da cimeira de emergência dos líderes europeus sobre a imigração. Este encontro tem assim lugar numa altura em que se verificam alguns progressos entre os credores e Atenas, ainda que isso não seja suficiente para que o acordo seja firmado no encontro dos ministros das Finanças desta semana.

 

Economia grega recua 22% desde o primeiro pedido de resgate em 2010

 

Faz esta quinta-feira cinco anos que o primeiro-ministro grego pediu assistência financeira internacional. A agência Lusa escreve que a economia grega encolheu 22% e tem mais um milhão de pobres desde 2010, quando Atenas pediu o primeiro resgate. Cinco anos depois, já está a crescer mas persistem os receios de uma saída da Grécia do euro.

 

A história da crise recente da Grécia começa a contar-se a 23 de Abril de 2010, quando o Governo grego liderado pelo socialista George Papandreou pediu o primeiro resgate financeiro da crise europeia: nesse ano, o Produto Interno Bruto (PIB) helénico caiu 5,4%, o défice orçamental foi de 11,1%, a dívida pública de 146% e o desemprego chegou aos 12,7%, segundo os números do Eurostat, revelados por esta agência.

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