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Varoufakis diz que nem “Deus e os seus anjos” poderiam recuperar a economia grega

O antigo ministro das Finanças aponta o dedo à troika e defende que nunca houve um debate série sobre a recuperação da Grécia, porque o país é apenas "um dano colateral" no jogo de confrontos entre Paris e Berlim. Varoufakis pressagia ainda um reacender da crise em Atenas.

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Yanis Varoufakis: Missed Chance to Stabilize Greece
Rita Faria afaria@negocios.pt 26 de Janeiro de 2016 às 18:06
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Um ano depois da chegada do Syriza ao poder, o antigo ministro das Finanças da Grécia, Yanis Varoufakis, revela-se céptico acerca das possibilidades de Atenas dar a volta à crise e sair definitivamente da espiral recessiva que tem impedido o país de se livrar da dependência de sucessivos programas de resgate internacionais.

 

Numa entrevista à Bloomberg TV, o professor de Economia aponta o dedo aos credores e às condições impostas em troca do terceiro resgate, e diz que nem "Deus e os seus anjos poderiam recuperar a Grécia com base neste acordo".

 

"Colectivamente, perdemos a oportunidade – os credores, a União Europeia, o FMI – de estabilizar a Grécia", constata o antigo governante. "Dadas as restrições deste memorando, não pode ser feito".

 

Yanis Varoufakis defende que o primeiro-ministro Alexis Tsipras "sabe exactamente o que tem de ser feito" mas, na sua opinião, "já capitulou perante um programa que é insustentável".

 

Para o antigo ministro, que se demitiu do cargo sete meses após ter tomado posse, a subida do IVA de vários bens e serviços para 23% e os cortes nas pensões estão entre os erros mais grosseiros do plano traçado para Atenas. "Isto é o que fazes a uma país que queres destruir, e não recuperar após oito anos de queda do PIB", afirma.

 

Ao invés disso, Varoufakis defende cortes nas reformas antecipadas e medidas pensadas para recapitalizar o sistema de segurança social, através, por exemplo, de privatizações. Isto porque, insiste o professor, reformar o sistema de pensões "não pode ser simplesmente cortar mais". "Alexis Tsipras sabe isso", acrescenta.

 

Mas, a seu ver, o primeiro-ministro grego cedeu perante uma série de políticas que "sabe que vão falhar", impostas por pessoas que "também sabem que elas não vão funcionar".

 

"É o que se tem feito nos últimos cinco anos na Grécia. Estender e fingir [‘extending and pretending’]. Fingir que a insolvência do Estado grego e do sector financeiro se ultrapassa com novos empréstimos que implicam medidas que encolhem o PIB. Isso não pode funcionar. E toda a gente sabe isto", sublinha.

 

Para ilustrar o seu ponto de vista, Varoufakis conta que, quando era ministro das Finanças, falou com um alto responsável da troika que lhe disse que concordava com ele, que o programa não podia funcionar, mas a troika estava politicamente comprometida com ele.

 

"Não tem havido um debate sério sobre a forma de estabilizar a Grécia, porque a Grécia é um dano colateral no jogo de confrontos entre Paris e Berlim", critica Varoufakis.

O ex-governante do Syriza acredita, por isso, que vai haver um "reacendimento" da crise na Grécia. "Quando isso vai acontecer, é impossível de prever, mas vai", garante. "Não vejo este equilíbrio – ainda que um mau equilíbrio – durar mais do que alguns meses". 

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