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Varoufakis: Plano de privatizações é "politicamente tóxico" e "financeiramente nocivo" para a Grécia

Num artigo de opinião, o antigo ministro das Finanças da Grécia critica o plano de privatizações acordado entre o governo e os credores, comparando-o ao mecanismo utilizado na Alemanha depois da queda do muro de Berlim. Varoufakis conta que apresentou alternativas que foram acolhidas com um "silêncio ensurdecedor".

Reuters
Rita Faria afaria@negocios.pt 21 de Julho de 2015 às 16:51
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O antigo ministro das Finanças da Grécia, Yanis Varoufakis, critica o fundo de privatizações que foi acordado no âmbito do acordo entre o governo grego e os credores europeus, comparando-o com a Treuhandanstalt, a agência alemã responsável pela privatização das empresas da Alemanha Oriental depois da queda do muro de Berlim.

 

Num texto intitulado "O plano de privatizações vingativo da Europa para a Grécia", publicado no site Project Syndicate, o antigo ministro começa por dizer que, na cimeira do dia 12 de Julho, os líderes da Zona Euro ditaram os seus termos de rendição e o primeiro-ministro Alexis Tsipras, "aterrorizado com as alternativas", aceitou-os todas.

 

"Os líderes da Zona Euro exigiram que os activos públicos gregos fossem transferidos para um fundo ao estilo de Treuhand (…) que seria sedeado no Luxemburgo e supervisionado pelo ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble, o autor do esquema", descreve Varoufakis.  

 

No entanto, distingue o ministro, ao passo que o trabalho do Treuhand original foi acompanhado por investimentos maciços em infraestruturas por parte da Alemanha Ocidental e por transferências sociais em larga escala para a população da Alemanha Oriental, o povo da Grécia não receberia nenhum benefício correspondente.

 

Varoufakis considera que Tsakalotos, que o substituiu no cargo, "fez o seu melhor para contornar os piores aspectos" do plano de privatizações, nomeadamente que ele ficasse sedeado em Atenas, e que o prazo para as vendas fosse estendido para 30 anos. "Isso foi crucial, porque permitirá que o Estado grego mantenha os activos subvalorizados até que o seu preço recupere", afirma Varoufakis. Contudo, acrescenta, o plano continua a ser "uma abominação" devendo ser um "estigma na consciência da Europa".

 

"O plano é politicamente tóxico, porque o fundo, embora domiciliado na Grécia, vai efectivamente ser gerido pela troika. Também é financeiramente nocivo, porque as receitas irão pagar os juros de uma dívida que até o FMI admite ser impagável", refere o antigo ministro. "E falha a nível económico, porque desperdiça uma oportunidade maravilhosa de criar investimentos de produção nacional para ajudar a combater o impacto recessivo da consolidação orçamental punitiva que também faz parte dos 'termos' da cimeira de 12 de Julho".

 

Varoufakis diz que "não tinha de ser assim", até porque apresentou um plano alternativo aos credores a 19 de Junho. Segundo o ex-governante, o Governo propunha agrupar activos públicos numa holding central separada da administração do executivo e gerida como uma entidade privada, sob a égide do Parlamento grego, com o objectivo de maximizar o valor dos bens e criar um fluxo de investimento produtivo.

A holding teria uma licença bancária no prazo de um ou dois anos "transformando-se assim num Banco de Desenvolvimento de pleno direito com capacidade de complementaridade no investimento privado na Grécia e de entrar em projectos em colaboração com o Banco de Investimento Europeu".

O Banco de Desenvolvimento que propusemos "permitiria ao governo escolher que bens seriam, ou não, privatizados, garantindo ao mesmo tempo um maior impacto na redução da dívida", explica Varoufakis.

 

O ex-ministro das Finanças, que se demitiu depois do referendo de 5 de Julho, conta que a proposta foi recebida "com silêncio ensurdecedor" e que o Eurogrupo continuou a dizer que o governo grego não apresentava propostas inovadoras e credíveis.

 

"Num ponto de viragem da história da Europa, a nossa alternativa inovadora foi atirada para o caixote do lixo. Permanece lá para que outros a recuperem", conclui Varoukafis.

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