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Venizelos garante que Grécia tem condições para cumprir presidência da UE

As dúvidas sobre a capacidade da Grécia em desempenhar a presidência rotativa da União Europeia têm surgido. Em tom de resposta, o vice-primeiro-ministro, Evangelos Venizelos, aos jornalistas após o almoço que marca o arranque oficial da presidência helénica, garantiu que a Grécia vai mostrar que tem condições para exercer esta presidência.

Bloomberg
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8 de Janeiro de 2014 marca o arranque oficial da presidência grega da União Europeia (UE), presidência essa que vai prolongar até ao final do primeiro semestre deste ano. Esta não é a primeira vez que um país sob assistência externa ocupa a presidência da UE. Em Janeiro de 2013, foi a vez da Irlanda ocupar este cargo, 12 meses antes de deixar o ajustamento.

 

Contudo, as “condições de partida” de Atenas são diferentes das de Dublin. A Grécia foi o primeiro país da Zona Euro a ser resgatado tendo, entretanto, recebido já um segundo pacote de ajuda financeira e o valor total destes dois planos de ajuda ascende a 240 mil milhões de euros.

 

2013 foi o sexto ano consecutivo em que o país esteve em recessão, o desemprego está, actualmente, nos 27% e a dívida pública do país está acima dos 170% do PIB. As avaliações da troika ao programa de ajustamento continuam a ser uma dor de cabeça para o Governo de Samaras, dado que Atenas continua a ter dificuldades em convencer as instâncias internacionais a dar nota positiva ao país, sinal de que as medidas estão a ser implementadas de acordo com o previsto.

 

A austeridade na Grécia há muito que está em vigor e o descontentamento da população tem vindo a subir de tom. Nos últimos anos, o país assistiu a várias greves gerais e, antes de Antonis Samaras chegar à chefia do governo helénico em Junho de 2012, o país atravessou uma fase conturbada tendo o presidente do país, Károlos Papúlias, decidido formar um governo de salvação nacional encabeçado por Lucas Papademos.

 

Com este pano de fundo, as dúvidas sobre a capacidade da Grécia em desempenhar a presidência rotativa da União têm vindo a crescer, nomeadamente em Bruxelas. Em tom de resposta, Evangelos Venizelos, vice-primeiro-ministro da Grécia, em declarações aos jornalistas após o almoço que marcou formalmente o arranque da presidência grega, assegurou aos jornalistas que o país tem condições para exercer o cargo.

 

“Como é que possível que a Grécia, que atravessa uma crise, que está sob assistência e é ajudado pelos seus parceiros, continue a querer exercer a sua presidência [rotativa da UE]?” questionou Venizelos, de acordo com o “Financial Times”. “Estamos aqui para mostrar que, do ponto de vista institucional, estamos à altura” do desafio, respondeu o vice-primeiro-ministro.

 

Ao longo destes primeiros seis meses de 2014 as autoridades gregas assumirão a responsabilidade pela organização e financiamento de 14 reuniões ministeriais e 120 secundárias. Mas só cobrirão os custos de duas pessoas por país. Outra "vítima" das medidas de austeridade serão as gravatas (para os homens) e os lenços (para as mulheres) que normalmente os países anfitriões oferecem aos seus colegas nos encontros mais relevantes.

 

A previsão de custo da presidência é de 50 milhões de euros, o que traduz um Orçamento apertado, mas não exageradamente curto. Fica aquém dos 80 milhões despendidos pela presidência de Chipre (por sinal, no semestre anterior ao do pedido de resgate), mas não fica longe dos 57 milhões de euros que Portugal gastou em 2007, ainda antes da entrada em vigor do novo Tratado e com uma cimeira UE-África pelo meio (embora nessa altura o país tenha contado com vários patrocínios privados).

 

Entretanto, os deputados europeus que estão a investigar a actuação da troika nos processos de ajustamento, e que deveriam ter aterrado em Atenas hoje, dia 8 de Janeiro, deverão deslocar-se ao país no final deste mês ou no início de Fevereiro.

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