Zona Euro Schäuble concorda com Lagarde: Dívida grega precisa de ser cortada para ser sustentável, mas não à custa dos contribuintes europeus

Schäuble concorda com Lagarde: Dívida grega precisa de ser cortada para ser sustentável, mas não à custa dos contribuintes europeus

O ministro alemão diz que não é possível que Governos pura e simplesmente transfiram riscos para outros, lembrando o princípio do "bail-in", em oposição ao "bail-out", através do qual os Estados deixaram de assumir as consequências directas de falências na banca.
Schäuble concorda com Lagarde: Dívida grega precisa de ser cortada para ser sustentável, mas não à custa dos contribuintes europeus
Eva Gaspar 09 de julho de 2015 às 15:51

Wolfgang Schäuble disse nesta quinta-feira, 9 de Julho, que concorda com Christine Lagarde, directora-geral do FMI, que voltou a pedir que se reestruture a dívida grega. Em sua opinião, em face da degradação das condições económicas e financeiras do país, a dívida pública grega precisa de ser cortada para ser sustentável, mas não à custa dos contribuintes europeus, advertiu o ministro alemão das Finanças.

 

Falando em Frankfurt ao lado de Michel Sapin, ministro francês das Finanças, numa conferência organizada pelo Bundesbank, Schäuble respondeu que "para que a dívida grega seja sustentável é preciso cortá-la. O FMI está correcto ao dizê-lo". Mas, acrescentou, "não pode haver cortes na dívida oficial [perdão de empréstimos concedidos pelos Estados e garantidos pelos seus contribuintes]". Mesmo a possibilidade de um novo alargamento dos calendários de amortização da dívida grega – que, nos moldes actuais, só começará a ser paga aos europeus em 2022 – "é muito pequena", acrescentou.

 

Ao longo da sua intervenção, o ministro referiu-se diversas vezes à necessidade de não permitir que Governos pura e simplesmente transfiram riscos para outros, lembrando o princípio do "bail-in" através do qual os Estados passaram agora a desvincular-se de responsabilidades de falências na banca.

 

No caso dos bancos, o "bail-in" (aplicado aos bancos de Chipre aquando do resgate ao país e, no caso português, ao BES) significa que, em vez dos contribuintes, passam a ser os seus accionistas e obrigaccionistas (incluindo, se necessário, os depósitos não-garantidos) os chamados à cabeça a assumir perdas em caso de falência de instituições financeiras. Aplicado a Estados, esse princípio poderia passar por um imposto extraordinário sobre a riqueza destinado a abater a dívida do país, a par de uma eventual aceleração de operações de venda de activos do Estado, designadamente no quadro de privatizações. 

 

Empréstimos aos europeus só começam a ser pagos dentro de oito anos

 

A Grécia obteve em 2012 o maior perdão de que há registo, depois de bancos e casas de investimento terem aceite um corte ("hair-cut") de 53,5% no valor nominal dos títulos de dívida que haviam sido vendidos pelo Estado grego.

 

Os Estados do euro, que emprestaram o essencial dos fundos desde 2010, nunca aceitaram, porém, perdoar dívida em termos nominais, e já hoje Angela Merkel voltou a rejeitar essa hipótese, que é também frontalmente recusada pela generalidade dos países do euro, em particular pelos três do Báltico, Eslováquia e Finlândia.

 

Já por duas vezes, porém, os parceiros do euro aliviariam as condições de reembolso dos cerca de 200 mil milhões de euros emprestados a Atenas desde 2010 e, em Novembro de 2012, admitiram voltar a fazê-lo uma vez mais se os governos gregos cumprissem os programas de ajustamento acordados – o que deixou agora de ser o caso.

 

Neste momento, as taxas de juro cobradas à Grécia são praticamente iguais ao preço a que os fundos de resgate do euro (que têm rating máximo) conseguem captar financiamento nos mercados, tendo sido decretado um prazo de carência de dez anos para o pagamento de juros (a Grécia só começará a pagar o primeiro euro aos europeus a partir de 2022), ao mesmo tempo que os prazos de maturidade dos empréstimos foram prolongados para uma média que ronda 30 anos. Trata-se de condições mais favoráveis do que as aplicadas aos demais resgatados do euro, entre os quais Portugal.

 

 

 

 

 




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