Zona Euro Wolfgang Schäuble: Perdão da dívida grega está fora de questão

Wolfgang Schäuble: Perdão da dívida grega está fora de questão

Berlim volta a reforçar que a renegociação da dívida, envolvendo perdão de empréstimos, não está em cima da mesa. No entanto, o ministro das Finanças alemão admite flexibilidade orçamental por parte da Grécia, desde que não leve ao incumprimento das regras previamente acordadas.
Wolfgang Schäuble: Perdão da dívida grega está fora de questão

Berlim voltou a reforçar a mensagem que uma renegociação do valor nominal da dívida grega está fora de questão. No dia em que o novo Governo grego foi empossado, o ministro das Finanças alemão veio a público declarar que "a questão do perdão de dívida não se coloca".

 

Nada mudou desde o último encontro do Eurogrupo em Dezembro, nem com a vitória do Syriza, afirmou, citado pela Bloomberg.

 

Em declarações aos jornalistas em Bruxelas esta terça-feira, 27 de Janeiro, o ministro disse que o  programa de resgate internacional "está no caminho certo e a Grécia está no caminho certo".

 

Schäuble elogiou também os resultados obtidos por Atenas durante o programa assinado com os credores internacionais. "A Grécia alcançou resultados melhores do que o inicialmente previsto: ao reduzir rapidamente a sua dívida, nos seus resultados de crescimento económico e no alcançar de um saldo primário positivo".

A mensagem do ministro das Finanças vai ao encontro da do Governo alemão logo após a vitória do Syriza nas legislativas gregas.

 

O porta-voz de Angela Merkel, Steffen Seibert, veio dizer na segunda-feira, 26 de Janeiro, que Berlim respeita a decisão dos eleitores gregos, mas sublinha que é "importante que a Grécia cumpra os seus compromissos".

 

Grécia tem flexibilidade orçamental, mas sempre dentro do acordado

 

Wolfgang Schäuble também sublinhou que a possibilidade de maior "flexibilidade" para a Grécia não pode colocar em causa as medidas acordadas entre Atenas e a troika, nem as regras previstas pelo pacto de estabilidade e crescimento.

 

Em declarações proferidas no âmbito de uma audição no Parlamento Europeu, citado pelo jornal italiano La Repubblica, o governante alemão assumiu que "a flexibilidade não é prejudicial em si mesma, mas não deve levar a uma situação em que as regras acordadas não sejam respeitadas".  

 

"Isso levaria ao desperdício e à destruição da confiança" até aqui conquistada, concluiu Wolfgang Schäuble.

 

As palavras do político alemão foram ditas ainda antes da tomada de posse, esta tarde, no novo Governo grego. Durante a campanha eleitoral, o líder do Syriza e agora primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, defendeu o perdão de parte substancial da dívida pública grega, que depois do resgate é detida, na sua maior parte, pelos Estados-membros do euro e pelo mecanismo de estabilidade económica e financeira (MEEF).

 

No próximo Executivo helénico vai ainda figurar, tal como havia sido avançado esta segunda-feira, o nome de Yanis Varoufakis, o novo responsável pela pasta das Finanças. Varoufakis é conhecido pela oposição militante que assumiu contra o programa de austeridade aplicado na Grécia nos últimos anos.

 

Este professor universitário chegou mesmo a classificar os dois memorandos de entendimento negociados entre Atenas e a troika de "tortura orçamental".

 

Todavia, no entender de Schäuble as dificuldades sentidas nos últimos anos pelo povo grego devem-se essencialmente aos seus próprios dirigentes políticos. "Os gregos sofrem, não pelas decisões de Berlim e de Bruxelas, mas devido à falência da própria elite política das últimas décadas".

 

O La Repubblica escreve que deverão ser estas as mensagens que o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, transmitirá durante a sua visita à Grécia já na próxima sexta-feira. O encontro entre Dijsselbloem e Alexis Tsipras, novo primeiro-ministro grego, vai seguramente assinalar o início da negociação pretendida pelo entretanto empossado Governo grego.

 

Tsipras foi eleito, e fez referência a isso mesmo no discurso de vitória do passado domingo, com base na promessa de acabar com a austeridade imposta pelos credores internacionais à Grécia a partir de 2010, ano em que o então primeiro-ministro George Papandreou oficializou o pedido de ajuda internacional. 




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