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Carlos Costa: Zona Euro "sem união bancária é inconsistente"

Governador do Banco de Portugal alerta para riscos de fragmentação.

Miguel Baltazar/Negócios
Negócios 26 de Fevereiro de 2014 às 21:15
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"A união bancária é necessária porque uma união monetária sem uma união bancária é inconsistente. Um espaço que devia ser único fica perturbado e fragmentado", defendeu Carlos Costa, esta quarta-feira, 26 de Fevereiro, no colóquio "A União Bancária e o Financiamento da Economia Portuguesa".

O governador do Banco de Portugal sublinhou a necessidade de "cortar a relação de contágio entre os soberanos e os bancos" e de aumentar e uniformizar os níveis de confiança dos cidadãos europeus nas instituições financeiras.

"O cidadão de qualquer Estado-membro tem de ver a sua confiança depender de um nível supranacional. É isto que leva a que a confiança seja a mesma independentemente do país onde o banco opera. É preciso eliminar a ideia de que a confiança do depositante está dependente do soberano local", explicou o governador.

Neste sentido, Carlos Costa assegura que as consequências da união bancária serão positivas para a economia portuguesa. "Vai separar as condições de financiamento entre as empresas e o soberano e tornar o soberano imune a acidentes no sistema bancário".

"É um passo importante para a estabilização da economia na Zona Euro", acrescentou. No entanto, o processo não será concluído sem dificuldades. Carlos Costa explica que "temos sistemas com histórias diferentes, supervisionados por entidades diferentes, que chegam ao momento da convergência em situações diferentes". "Estamos no início de um processo, porque a união bancária traz novas implicações no processo de funcionamento das instituições", concluiu.

Já a ministra das Finanças defendeu que a união bancária é "o passo mais urgente no processo de fortalecimento da área do euro". "Portugal tem estado completamente empenhado, conscientes que estamos da necessidade de ultrapassar os constrangimentos no financiamento das empresas nacionais", acrescentou Maria Luís Albuquerque, para quem este projecto será uma garantia de que estaremos no pós-crise "mais competitivos e mais fortes". "A concretização da união bancária permite-nos almejar um crescimento sustentável e inclusivo", concretizou.

A ministra acredita que a união bancária terá ainda reflexos positivos nas condições de financiamento das empresas portuguesas que, actualmente, são penalizadas pelo facto de estarem em Portugal. "A persistência da fragmentação nos mercados financeiros no euro leva a custos de financiamento substancialmente diferentes" para empresas equivalentes, só porque "estão sediadas em sítios diferentes. A persistência destes diferenciais reduz a capacidade de investimento das empresas nacionais", explicou a ministra das Finanças.

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