Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Banco de Portugal: É necessário quase sete mil milhões de euros de austeridade até 2019

Portugal já fez um esforço de ajustamento significativo, mas precisa de continuar a aplicar uma receita de austeridade. Entre 2014 e 2019, são necessários 4% do PIB em novas medidas de consolidação orçamental.

Bruno Simão/Negócios
Nuno Aguiar naguiar@negocios.pt 11 de Junho de 2014 às 13:04
  • Assine já 1€/1 mês
  • 98
  • ...

A conclusão está no Boletim Económico de Junho do Banco de Portugal, que inclui um capítulo sobre a sustentabilidade das finanças públicas em Portugal no médio prazo. Sabendo-se que o Governo português está comprometido com as regras europeias inscritas no Tratado Orçamental e que tem de atingir um défice estrutural de 0,5% do PIB em 2019, o banco estima que são necessárias medidas de austeridade no valor de 4% do PIB nos próximos cinco anos. Cerca de 6,7 mil milhões de euros.

 

"Não obstante o esforço de consolidação orçamental nos últimos três anos, que permitiu alcançar um saldo primário próximo do equilíbrio, o ajustamento das contas públicas ainda não está concluído", pode ler-se no comunicado de imprensa. Com uma dívida pública próxima de 130% do PIB, "a sua redução sustentada exige a acumulação de excedentes primários ao longo de vários anos".

 

"As estimativas obtidas apontam para a necessidade de um ajustamento adicional da ordem de quatro pontos percentuais do PIB até 2019, o que corresponde a cerca de metade do esforço orçamental no período 2011-2013", escreve a instituição liderada por Carlos Costa.

 

Uma fatia importante desta necessidade de austeridade - perto de um quarto - servirá para compensar a devolução progressiva dos cortes salariais na Função Pública, bem como a eliminação da Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES). Além disso, haverá ainda pressões negativas relacionadas com a evolução demográfica do País, que "exigem a criação de margem orçamental adicional".

 

O Banco de Portugal acrescenta ainda que cumprir os objectivos do Tratado Orçamental também permitirá reduzir o rácio de dívida pública, embora a um ritmo "bastante gradual". Nesse capítulo, o banco argumenta que poupanças na despesa com juros, relacionadas com a redução do stock da dívida compensará as pressões relacionadas com o envelhecimento da população.

 

De referir que o chumbo do Tribunal Constitucional não afecta estas projecções de austeridade, uma vez que, neste exercício, os técnicos do banco já partiam do princípio que os cortes na função pública seriam totalmente eliminados até 2019, assim como a CES.

 

Ver comentários
Saber mais Boletim Económico de Junho do Banco de Portugal Tratado Orçamental Carlos Costa Função Pública Contribuição Extraordinária de Solidariedade
Outras Notícias