Orçamento do Estado Banco de Portugal entrega 645 milhões em dividendos. Recorde dá folga ao Orçamento

Banco de Portugal entrega 645 milhões em dividendos. Recorde dá folga ao Orçamento

O banco central entregou um valor recorde em dividendos ao Estado, este ano. O valor bruto, somado ao imposto pago sobre o rendimento corrente atinge os 1.003 milhões de euros.
Banco de Portugal entrega 645 milhões em dividendos. Recorde dá folga ao Orçamento
Miguel Baltazar/Negócios
Margarida Peixoto 10 de maio de 2019 às 13:00
O Banco de Portugal entregou este ano 645 milhões de euros em dividendos ao Estado, um valor recorde e que supera a previsão que tinha sido inscrita no Orçamento do Estado para 2019. O valor foi revelado esta sexta-feira, 10 de maio, no relatório anual do banco.

Para além dos dividendos, o banco central entregou 358 milhões de euros relativos a imposto sobre o rendimento corrente, num total de 1.003 milhões de euros, referentes à atividade de 2018.

Este valor supera o recorde que já tinha sido atingido no ano passado, quando os cofres públicos encaixaram 525 milhões de euros de dividendos referentes à atividade de 2017, aos quais se somaram 272 milhões de euros de imposto sobre os lucros, num total de quase 800 milhões de euros.

Além disso, os dividendos entregues pelo Banco de Portugal superam a estimativa que estaria inscrita no Orçamento do Estado para este ano. É que Mário Centeno tinha previsto um total de 628 milhões de euros no Mapa I, anexo ao Orçamento do Estado, que contava tanto com os dividendos do banco central, como com os da Caixa Geral de Depósitos.

"A perspetiva de dividendos por parte da Caixa Geral de Depósitos, e de um aumento dos dividendos pagos pelo Banco de Portugal, contribui para um crescimento de 9,5% da outra receita corrente," lia-se no relatório.

Poucos dias depois de ter apresentado o OE2019, o Governo revelou que só da Caixa esperava 200 milhões de euros. Este valor veio a ser confirmado no início desde mês, num relatório do banco público entregue na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários.

Somados aos 645 milhões de euros revelados agora pelo Banco de Portugal, o valor bruto de dividendos saltou assim de 628 milhões inscritos no OE, para 845 milhões de euros, dando uma folga ao Orçamento do Estado, do lado da receita, de cerca de 200 milhões de euros.

Lucros subiram para 806 milhões

O aumento dos dividendos pagos pelo Banco de Portugal esteve suportado por uma subida dos lucros em 149 milhões de euros, para 806 milhões de euros no ano passado.

Segundo o relatório, o resultado líquido de juros e de gastos e rendimentos equiparados melhorou 55 milhões de euros face a 2017, atingindo os 1.065 milhões de euros. As operações financeiras obtiveram um resultado positivo de 68 milhões de euros. Mas a repartição do rendimento monetário encolheu 54 milhões de euros face a 2017, para 73 milhões de euros.

O Banco de Portugal explica que em 2018 reduziu a exposição ao risco cambial, na sequência de uma alteração da "perspetiva de longo prazo, das políticas de investimento, conduzindo à diminuição do montante de ativos denominados em moeda estrangeira nas carteiras de gestão de ativos".

Além disso, nota que os gastos de natureza administrativa se reduziram em dois milhões de euros (0,8%) face a 2017, com menos custos associados ao Novo Banco. "Esta diminuição resulta do decréscimo de 4 milhões de euros em fornecimentos e serviços de terceiros (-7,7%), devido, em grande medida, a um menor volume de gastos com a assessoria na venda do Novo Banco (-6 milhões de euros)," explica o banco central.

Porém, as poupanças administrativas foram compensadas "por um aumento em dois milhões de euros dos gastos com pessoal (+1,8%)." O Banco de Portugal aplicou, com efeitos a 1 de janeiro de 2018, um aumento salarial de 0,75%, conforme o acordo alcançado para o setor com os sindicatos bancários.



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