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Bloco de Esquerda acusa Passos Coelho de ser "completamente irrealista"

O Bloco de Esquerda (BE) acusou o primeiro-ministro de ser "completamente irrealista" por rejeitar a renegociação da dívida e esperar um crescimento económico em Portugal que nunca sucedeu em "nenhum país".

Bruno Simão/Negócios
Lusa 11 de Março de 2014 às 16:03
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"Um primeiro-ministro que diz que quer conseguir no seu País condições que nunca aconteceram em nenhum país do mundo e que diz que a solução que foi utilizada ao longo da história em tantos países [renegociação da dívida] é irrealista é sim um primeiro-ministro irrealista", declarou a coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, em declarações aos jornalistas no Parlamento.

 

A bloquista falava depois de Pedro Passos Coelho ter dito esta manhã que se assinasse o manifesto hoje dado a conhecer para a reestruturação da dívida portuguesa estaria a pôr em causa o cumprimento das metas orçamentais a que o País está obrigado e a enviar uma "mensagem errada".

 

Admitindo ter tido conhecimento do manifesto pela leitura matinal da imprensa, Passos Coelho diz que se questionou se o mesmo não seria um "reflexo da atitude" de "negar a realidade".

 

Para o Bloco de Esquerda, o Tratado Orçamental e a política do Governo pretende traçar para Portugal um "caminho que nunca aconteceu em nenhum país do mundo", de constante crescimento por largos anos, mais a mais com políticas de austeridade a serem aplicadas.

 

"É uma receita irrealista e que falta à verdade e ao compromisso sério com os portugueses", disse Catarina Martins, realçando que a insistência em políticas de austeridade provocará "ondas de choque na economia" e o agudizar de uma crise social no país.

 

O Bloco de Esquerda, lembrou a coordenadora e deputada do partido, defende a reestruturação da dívida e "tem posto o dedo na necessidade" dessa mesma reestruturação "há já muito tempo". 

 

O manifesto para a reestruturação da dívida, noticiado pelo "Público", é assinado por diferentes personalidades da política de esquerda e de direita, casos dos ex-ministros das Finanças Manuela Ferreira Leite e Bagão Félix, João Cravinho, Francisco Louçã, António Saraiva, Gomes Canotilho, Sampaio da Nóvoa, além de empresários e economistas, e pretende ser "um apelo de cidadãos para cidadãos". O conteúdo do manifesto será divulgado na edição de quarta-feira do jornal "Público".

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