Finanças Públicas Bruxelas revê em alta previsão de défice de Portugal em 2016

Bruxelas revê em alta previsão de défice de Portugal em 2016

A Comissão Europeia reviu em baixa a previsão para o crescimento português. E diz que em 2016 Portugal terá um défice de 3,4%, o que compara com a anterior de 2,9%. É uma meta bem acima dos 2,6% previstos pelo Governo.
Bruxelas revê em alta previsão de défice de Portugal em 2016
Bruno Simões 04 de fevereiro de 2016 às 10:08
A Comissão Europeia reviu em baixa as projecções para o crescimento da economia portuguesa para este ano e antecipa uma derrapagem pronunciada do défice orçamental. De acordo com as Previsões de Inverno, publicadas esta manhã, 4 de Fevereiro, o PIB português deverá crescer apenas 1,6%, o que significa uma desaceleração de 0,1 pontos face às anteriores previsões.

Já o défice segue o caminho oposto e trepa 0,5 pontos face à anterior projecção de Bruxelas, devendo cifrar-se no final do ano em 3,4% (a anterior apontava para 2,9%).

As Previsões de Inverno já têm em conta as medidas do "draft" orçamental, submetido pelo Governo a 22 de Janeiro, no qual o Executivo prevê um défice de 2,6%. Comparando a previsão da Comissão com a do Governo português, a diferença entre as metas é abissal: 0,8 pontos.

Porém, com as novas medidas que estão a ser negociadas com Bruxelas, e que não são consideradas nas previsões de Bruxelas, o Executivo de António Costa deverá colocar o défice deste ano em 2,4%, uma meta que ainda não foi oficializada.

Quanto ao crescimento da economia, a Comissão Europeia é igualmente menos optimista que o ministro Mário Centeno e aponta para uma expansão de 1,6%, baixando uma décima face às previsões de Outono, divulgadas em Novembro. No primeiro "draft" submetido a Bruxelas, o Governo aponta para um crescimento de 2,1%.

Para 2017, a previsão de crescimento mantém-se igual à de Novembro, com Bruxelas a apontar para uma variação de 1,7% do PIB.

Perspectiva orçamental é "negativa"

De acordo com a análise feita às finanças portuguesas, Bruxelas considera que "os riscos sobre as perspectivas orçamentais são negativos", devido às "incertezas que rodeiam as perspectivas macroeconómicas", mas também à "possível derrapagem da despesa" e ao "ainda inexistente acordo sobre as medidas de consolidação para 2016 e 2017".

Bruxelas diz ainda, no relatório divulgado esta manhã, que "devido à natureza pró-cíclica da maioria das medidas" incluídas na primeira versão do esboço do Orçamento do Estado, é expectável que o défice estrutural aumente cerca de um ponto percentual, passando a ser de 2,8% (face a 2,3% da anterior estimativa).

Dívida cai ligeiramente

A dívida pública portuguesa atingiu 130,2% do PIB no final de 2014, e Bruxelas estima que tenha caído ligeiramente para 129,1% no final de 2015, devido à resolução do Banif, adiamento da venda do Novo Banco e revisões estatísticas. Em 2016, a Comissão espera outra pequena descida, passando a dívida para 128,5%. Em 2017 já será mais pronunciada, caindo para 127,2% do PIB.


2014201520162017
Crescimento do PIB (%) 0,9 1,5 1,6 1,8
Inflação -0,2 0,5 0,7 1,1
Desemprego 14,1 12,6 11,7 10,8
Défice público (% PIB) -7,2 -4,2 -3,4 -3,5
Dívida pública (% PIB) 130,2 129,1 128,5 127,2
Saldo externo (% PIB) 0,3 0,7 1,1 1,1


Notícia actualizada pela última vez às 10:46 com mais informação



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