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Cândida Almeida: “Já detecto um aumento da grande fraude fiscal”

A directora do DCIAP uma das entidades que apoia o site Gestão Transparente.org, hoje apresentado, sustenta que a corrupção não deverá registar aumentos significativos com a crise, mas diz que a fraude fiscal qualificada, de grandes dimensões, está a aumentar todos os dias.

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Filomena Lança filomenalanca@negocios.pt 10 de Dezembro de 2012 às 14:06
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“Já detecto um aumento da grande fraude fiscal, da fraude qualificada e de alguns crimes como a burla”, afirmou hoje a procuradora-geral adjunta Cândida Almeida. A directora do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) diz acreditar que a corrupção propriamente dita não deverá registar aumentos significativos na sequência dos tempos de crise que o País atravessa, mas está mais preocupada com a grande criminalidade que “pode integrar um conceito de corrupção abrangente e onde, ai sim, [o crescimento] é significativo”

Cândida Almeida falava à margem da apresentação pública do projecto Gestão Transparente.org, uma nova ferramenta informática, on-line e gratuita que disponibiliza um simulador que permite às diversas entidades aferir, em cada momento – por exemplo na realização de um determinado negócio, num determinado país - os níveis de risco de exposição à corrupção, fornecendo também legislação e medidas e instrumentos a implementar nas empresas a cada momento.

“Temos uma linha de denúncias anónimas com cerca de duas mil denúncias”, com uma evolução que tem sido pouco significativa, declarou Cândida Almeida, que tem dito, por várias vezes, que não considera Portugal “um País de corruptos”. “As generalizações, as abstracções são perigosas. Há corrupção em Portugal, como há em qualquer país, porque o poder corrompe, mas na amostra que há faltam crimes como a burla ou a fraude fiscal, e essa temos muita”.

 Relativamente “à corruptela, a pequena corrupção, é mais uma posição de caracter e a pessoa que é séria não se venderá mesmo com dificuldades económicas, portanto a crise não tem de a aumentar”, acrescentou a directora do DCIAP. Dizendo-se “uma pessoa optimista”, Cândida Almeida frisou que “para haver corrupção, tem de haver corruptores, que normalmente vêm da sociedade civil, das empresas, dos particulares, e, aí, a crise “deveria ser uma oportunidade para as empresas diminuíram, em grande escala, comportamentos” susceptíveis de fomentarem a corrupção. Porque esta “aumenta os custos, diminui a concorrência e, em geral, torna a vida mais difícil às empresas”.

O DCIAP foi uma das entidades que participa, como observador, na criação do site “Gestão Transparente.org”, juntamente com a Universidade do Minho e o Conselho de Prevenção da Corrupção (que funciona junto do Tribunal de Contas), no qual ficou, aliás, alojado o site.

O projecto surgiu na sequência do ciclo de conferências sobre corrupção, realizado em 2011 pelo DCIAP, numa iniciativa da Siemens e da Inteli, e teve o apoio da AICEP e de várias grandes empresas, como a EDP, EPAL, REN ou ANA, entre outras. 

 

 

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