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Carlos Moedas diz que "maus hábitos acabam" quando se enfrentam os choques

O secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro afirmou hoje, perante uma plateia de investidores imobiliários internacionais, que as pessoas "só acabam com os maus hábitos quando enfrentam choques" para exemplificar o que está a ser feito na economia portuguesa.

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Lusa 23 de Maio de 2013 às 12:47
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Carlos Moedas, que fazia a sua intervenção na 15.ª Conferência Europeia IPD de Investimento Imobiliário, em Lisboa, dava o exemplo da dificuldade da mudança, fazendo uma analogia entre as empresas e os países.

 

"O mercado imobiliário teve alterações dramáticas nos últimos anos e sabemos que mudar é difícil e as companhias fazem tudo para resistir até ser, às vezes, demasiado tarde", pelo que "muitas empresas e pessoas só acabam com os maus hábitos quando enfrentam os choques", afirmou.

 

O governante adiantou que, "ao nível do país, a mudança é ainda mais difícil", porque existem "grupos de interesse, lóbis, vozes minoritárias que beneficiam do 'status quo' e uma mentalidade conservadora".

 

Na sua intervenção, Carlos Moedas fez um diagnóstico da última década da economia portuguesa e as razões que levaram Portugal a pedir assistência financeira internacional.

 

"Entre 2000 e 2012, a economia portuguesa cresceu menos que os Estados Unidos durante a Grande Depressão ou o Japão na sua Década Perdida. É um poderoso, conciso e depressivo sumário da nossa economia nos primeiros anos do século XXI", disse, acrescentando, no entanto, que "este pequeno desvio é a excepção à regra" já que Portugal "está a convergir com a Europa ocidental desde os anos 60".

 

Para Carlos Moedas não há qualquer "razão estrutural ou de longo prazo que proíba Portugal de voltar mais uma vez a este caminho de convergência".

 

O secretário de Estado referiu que Portugal não teve "uma bolha imobiliária, mas uma bolha da despesa", que cresceu 131% entre 1995 e 2009.

 

"Este crescimento dramático da despesa resultou em grandes melhorias no sector público, principalmente na saúde e infra-estruturas, mas também gerou uma série de severas distorções na economia", sublinhou.

 

"O crédito fácil e um Estado generoso mascararam as fragilidades da nossa economia e removeu todos os incentivos para fazer reformas laborais e nos mercados", acrescentou Carlos Moedas.

 

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