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César das Neves: Passos é corajoso como Soares e Salazar

Professor de Economia da Católica elogia a coragem do primeiro-ministro, que compara à que diz ter sido demonstrada no passado apenas por Soares e Salazar. Defende que qualquer outro político ou partido responsável teria de seguir uma política idêntica e necessariamente impopular.

Negócios 14 de Janeiro de 2013 às 13:24
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“Custa mais enfrentar um consenso social do que um exército”, escreve hoje João César das Neves no “Diário de Notícias”, num artigo em que discorre pelas razões que levam hoje o primeiro-ministro a ser a "pessoa mais odiada em Portugal" e no qual compara a coragem de Pedro Passos Coelho à que diz ter sido demonstrada no passado apenas por Mário Soares e António Salazar.

 

“O primeiro-ministro já fez vários erros, alguns graves. Curiosamente, é insultado sobretudo pelo que faz de bem”, considera o Professor de Economia da Universidade Católica. O país, diz, "acusa o médico pela doença" e, no meio da dor, "tem saudades da euforia que nos trouxe à ressaca e sorri às forças que só complicam com protestos interesseiros e inúteis". "Entretanto odeia Merkel e o FMI, que nos emprestam dinheiro, e despreza o Governo que tenta reformas há décadas indispensáveis. A consequência paradoxal é que, perante o sofrimento inevitável, quem acaba por beneficiar são os inimigos”.

 

César das Neves argumenta que as medidas que estão a ser implementadas pelo Governo “são forçadas pela conjuntura e teriam de ser tomadas por qualquer outro político ou partido responsável”, pelo que pouco ou nada dizem sobre se Passos Coelho é bom ou mau governante. Dizem, então, o quê? "Por enquanto, a única característica evidente do primeiro-ministro é ser um homem corajoso, capaz de enveredar por um caminho que, indispensável e enormemente impopular, o leva a arriscar a sua carreira futura e o sucesso eleitoral do seu partido. Se pudesse, certamente o evitaria. É evidente que só faz isto por estar convencido de que é a única alternativa para o País. Mesmo assim, é preciso muita coragem para avançar por aqui”.

 

“A coragem é uma virtude paradoxal. Custa mais enfrentar um consenso social do que um exército. Muitos comentadores sentem- -se heróis ao atacarem comodamente o poder, mas é tomar medidas impopulares que requer verdadeira bravura”.

 

Na história recente de Portugal, escreve o Professor de Economia da Universidade Católica, apenas dois outros governantes se viram em situações parecidas e tiveram atitude semelhante: António Salazar em 1928 e Mário Soares em 1983. “Estes são dois dos mais insultados e bem-sucedidos políticos da história de Portugal. O que mostra que o País é muito mais sensato do que os comentadores”.

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