Finanças Públicas Comissão confia em Centeno em 2017, mas está mais pessimista depois

Comissão confia em Centeno em 2017, mas está mais pessimista depois

A Comissão Europeia vê a economia portuguesa a crescer 1,8% este ano, em linha com o previsto pelo Ministério das Finanças. Mas depois, antecipa um abrandamento, que contrasta com a aceleração antecipada pelo Governo.
Comissão confia em Centeno em 2017, mas está mais pessimista depois
Georges Boulougouris/Comissão Europeia
Rui Peres Jorge 11 de maio de 2017 às 09:00
Depois de um final de 2016 que superou as expectativas, a "recuperação ganhará ritmo" em 2017, diz a Comissão Europeia, que antecipa um crescimento de 1,8% para este ano, suportado num bom momento do consumo privado, das exportações e do investimento, em parte público. O desemprego também continuará a cair, enquanto as famílias pouparão um pouco mais, o Estado baixará o défice ligeiramente, e a economia conseguirá manter um ligeiro excedente externo. Tudo boas notícias e em linha com o antecipado pelo Governo no Programa de Estabilidade. Mas para 2018, a Comissão Europeia vê uma realidade distinta da do Executivo, antecipando um abrandamento do crescimento da economia para 1,6%, e dos seus motores de crescimento. 

"O PIB cresceu 1,4% em 2016 e o efeito positivo de ‘carryover’ deverá melhorar a taxa de crescimento para 1,8% em 2017, antes de abrandar para 1,6% em 2018", lê-se na avaliação da Comissão Europeia, que considera que os riscos permanecem enviesados para o lado negativo, "com o sector bancário ainda a enfrentar desafios e uma vulnerabilidade grande a desenvolvimentos externos".

A puxar pela economia em 2017 estará o consumo privado, o investimento e as exportações, avalia a Comissão que antecipa uma redução da taxa de desemprego para 9,9% este ano, também em linha com previsão do Governo.

"O indicador de sentimento económico continuou a melhorar no primeiro trimestre de 2017 atingindo um máximo de nove anos no primeiro trimestre" notam os economistas de Bruxelas no texto que acompanha as previsões, no qual avaliam que "a despesa de consumo deverá permanecer forte em 2017, suportada por aumentos de salários mínimo e crescimento robusto de emprego".

O investimento também dará uma ajuda: "o investimento em construção deverá continuar a subir, particularmente em 2017, devido a uma recuperação forte no investimento público e a um aumento gradual no investimento público e a um aumento gradual de construção imobiliária privada", ao mesmo tempo que "o investimento em maquinaria e equipamento deverá expandir-se gradualmente, liderado por um aumento na capacidade de utilização, nas margens de lucro, e uma ligeira recuperação no crédito bancário".

Na frente externa, Bruxelas antecipa um bom desempenho tanto das exportações (4,4% contra 4,5% do Governo) como das importações (5,2% contra 4,1% do Governo), com as compras ao exterior a reagirem à recuperação do investimento. Neste contexto, o saldo externo quase estabilizará em terreno positivo, beneficiando da ajuda de uma redução do saldo dos rendimentos pagos exterior (a balança externa apresenta um excedente de 1,4% do PIB, até acima dos 1% antecipados pelo Governo)

Neste contexto, o mercado de trabalho apresentará também desenvolvimento positivos, com a taxa de desemprego a cair para 9,9% este ano. "O mercado de trabalho está a registar uma melhoria generalizada, suportada por crescimento sólido de emprego e estabilização da força de trabalho. À parte do turismo, a criação de empregos está também a ser suportada pela recente recuperação da construção", lê-se no texto.



Dinamismo abranda em 2018

Mas se a Comissão alinha com as previsões de Mário Centeno para este ano, o mesmo não se pode dizer para 2018. Onde o Governo vê uma ligeira aceleração do crescimento para 1,9% e descida do défice orçamental para 1%, a Comissão antecipa uma travagem da economia para 1,6% com um défice orçamental de 1,8%. As previsões para o mercado de trabalho estão no entanto alinhadas: 9,3% espera o Governo, 9,2% estima a Comissão.

Na perspectiva dos economistas da Comissão Europeia, a economia nacional irá abrandar em reacção a uma travagem no consumo privado (cujo crescimento abrandará de 1,9% para 1,3%), mas também no investimento (de 5,4% em 2017 para 4,7% em 2018). Exportações e importações também abradarão, mas o contributo das exportações líquidas para o crescimento manter-se-á relativamente estável.
"O crescimento do consumo privado deverá moderar depois [de 2017], em linha com uma criação de emprego mais moderada e uma recuperação gradual da da taxa de poupança historicamente baixa", avisam os economistas de Bruxelas, notando que "a maioria dos indicadores de curto prazo, assim como a recuperação da inflação, sugerem que a o consumo privado poderá abrandar", lê-se no texto. O investimento também terá o seu melhor ano em 2017.

Neste contexto, "projecta-se que a criação de emprego abrande gradualmente ao longo do horizonte de projecção ao mesmo tempo que as pressões salariais aumentam. Assim, o desemprego deverá cair de 11,2% em 2016, para 9,9% em 2017 e 9,2% em 2018, enquanto os custos unitários do trabalho deverá aumentar moderadamente e em linha com a tendência dos principais parceiros de comércio", acrescenta a Comissão.

No que às contas públicas diz respeito, a avaliação da Comissão também coincide apenas parcialmente com a do Governo, validando bons resultados de 2016 que poderá permitir a saída do Procedimento, mas deixando Portugal em incumprimento das regras europeias em 2017.



pub

Marketing Automation certified by E-GOI