Finanças Públicas Costa cumprirá compromissos eleitorais e medidas acordadas com esquerda

Costa cumprirá compromissos eleitorais e medidas acordadas com esquerda

António Costa classificou de difíceis as negociações com as instâncias europeias, mas garantiu que não estão em causa os compromissos eleitorais, bem como as medidas que acordou nas parcerias estabelecidas com a esquerda.
Costa cumprirá compromissos eleitorais e medidas acordadas com esquerda
Reuters
Negócios com Lusa 19 de janeiro de 2016 às 14:14

O primeiro-ministro considerou difíceis as negociações com as instâncias europeias sobre o Orçamento para 2016, mas afirmou que não serão postos em causa compromissos eleitorais, ou medidas acordadas com as forças políticas que suportam o executivo.

 

António Costa falava aos jornalistas numa conferência de imprensa na cidade da Praia, após uma reunião bilateral entre os governos de Portugal e de Cabo Verde.

 

O primeiro-ministro referiu que as instâncias europeias pretendem que o Governo, no âmbito da sua proposta de Orçamento do Estado para 2016, cumpra as reduções de défice nominal e estrutural "não alcançadas em 2015", mas contrapôs que o seu executivo cumprirá os compromissos eleitorais assumidos, assim como as medidas que acordou nas parcerias estabelecidas com o Bloco de Esquerda, PCP e "Os Verdes".

 

De acordo com uma notícia avançada esta terça-feira pelo Público, que cita fonte governamental não identificada, está a haver pressão de Bruxelas para que o Executivo assuma uma meta de défice mais baixa do que o previsto, que garanta uma redução do défice estrutural de 0,5% do PIB.

 

O Ministério das Finanças optou pelo silêncio quando questionado pelo Negócios se reafirma a meta de um défice de 2,8% do PIB para 2016, tal como previsto no Programa de Governo. Segundo o Público Bruxelas pretende uma descida mais acentuada.

 

A pressão de Bruxelas em relação às contas portuguesas está também evidente na notícia da Lusa sobre o envio do "draft" do Orçamento do Estado para 2016 para a Comissão Europeia, que o primeiro-ministro espera que aconteça sexta-feira. No plano político, uma fonte do Executivo não identificada retirou qualquer dramatização às conversações entre o Governo e os partidos da esquerda que o suportam na Assembleia da República (Bloco de Esquerda, PCP e Os Verdes) sobre a viabilização da proposta de Orçamento do Estado para 2016, mas adiantou que as maiores dificuldades se espera que sejam colocadas pelas instâncias europeias.

Temos o nosso grande desafio de simultaneamente virarmos a página da austeridade, cumprindo os critérios de participação activa no quadro da Zona Euro. António Costa 

"Exercício orçamental exigente e difícil"

 

Questionado sobre o estado das negociações entre Bruxelas e o Governo português para a aceitação da proposta de Orçamento do Estado para 2016, António Costa referiu que, "como é sabido, a execução orçamental de 2015 não permitiu uma redução do défice estrutural como estava previsto".

 

"As instituições europeias, naturalmente, pretendem que em 2016 haja uma redução efectiva do défice estrutural que tenha em conta o que não foi alcançado em 2015. Portanto, estamos a conversar nesse sentido", afirmou o primeiro-ministro.

 

No entanto, logo a seguir, o líder do executivo português quis "deixar claro desde já" que, embora "todos os orçamentos sejam necessariamente de compromissos, de tais compromissos não parte qualquer das medidas que constituíram um compromisso eleitoral, ou que resultaram dos acordos que estabelecemos com os nossos parceiros [Bloco de Esquerda, PCP e PEV] para a viabilização do Governo".

 

"Estamos perante um exercício orçamental exigente e difícil, mas iremos conseguir obter uma redução do défice estrutural e do défice nominal sem sacrificar aquilo que são os compromissos assumidos com os portugueses e os compromissos assumidos com os nossos parceiros. Trata-se de uma garantia fundamental para a credibilização da vida política", alegou o primeiro-ministro.

 

Ainda em relação ao Orçamento do Estado para 2016, Costa admitiu apenas que possa haver "gradualismo" na execução das medidas", dando então como exemplos a reposição ao longo deste ano dos salários dos trabalhadores da administração pública e a eliminação da sobretaxa de IRS em 2017 para os escalões mais elevados de rendimentos.

 

"Não sacrificamos objectivos. Temos o nosso grande desafio de simultaneamente virarmos a página da austeridade, cumprindo os critérios de participação activa no quadro da zona euro. Estou confiante que encontraremos boas soluções no sentido de ajudar a relançar a economia portuguesa", acrescentou.

 

(notícia actualizada às 14:35 com mais informação)

 




pub

Marketing Automation certified by E-GOI