Finanças Públicas Défice poderá superar os 10% no primeiro trimestre devido à ajuda ao Banif

Défice poderá superar os 10% no primeiro trimestre devido à ajuda ao Banif

O défice orçamental do primeiro trimestre deverá ser de 8,7%, revelou o ministro das Finanças, antecipando os dados que serão divulgados esta sexta-feira pelo INE. Se o dinheiro injectado no Banif for contabilizado o défice deverá rondar os 10% do produto interno bruto (PIB).
Défice poderá superar os 10% no primeiro trimestre devido à ajuda ao Banif
Miguel Baltazar/Negócios
Sara Antunes 25 de junho de 2013 às 16:11

O défice, que será reportado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) esta sexta-feira, dia 28 de Junho, andará na “ordem do limite superior da UTAO” que é “de 8,7% do PIB”. Contudo, se o valor injectado no Banif no âmbito do programa de recapitalização do banco, for considerado para os cálculos do défice, este valor “poderá situar-se acima dos 10%”, explicou o ministro perante os deputados na Comissão de Orçamento e Finanças.

 

O Estado emprestou 700 milhões de euros ao Banif, através da subscrição de acções, no âmbito do programa de recapitalização do banco, que ainda esta terça-feira revelou que os seus accionistas aprovaram um aumento de capital, que será subscrito por privados, no valor de 450 milhões de euros. No total, o Tesouro injectou 1.100 milhões de euros este ano no Banif, mas 400 milhões foram através de instrumentos de capital contingente ("CoCos"), que não entrarão para os cálculos do défice. 

 

Vítor Gaspar, considera que os dados da execução orçamental de Maio, publicados cerca de 15 minutos antes de começar a audição parlamentar, “são tranquilizadores” e estão dentro do acordado com a troika no que se refere aos números no acumulado do ano, de acordo com as declarações feitas perante a Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública.

 

“A execução orçamental de Maio perspectiva o cumprimento dos limites do défice. O mês de Maio é particularmente relevante uma vez que reflecte a entrega de IRS e do IRC trimestral. Em 2012, foi nesta altura que se materializaram os riscos e incertezas orçamentais. Hoje, [os números] são tranquilizadores. Apontam para o cumprimento” do acordado com a troika, revelou o mesmo responsável.

 

Vítor Gaspar considera que “Portugal superou a urgência do ajustamento financeiro” e “entrou agora na fase do investimento”, contudo, alerta, “ainda é necessário garantir condições de acesso ao financiamento após Junho de 2014”, altura em que termina o programa de ajustamento acordado com a troika e em que o País precisa de conseguir financiar-se através dos mercados.

 

Nos “últimos dois anos, os portugueses conseguiram um ajustamento notável”, sublinhou o ministro.

 

(Notícia actualizada às 16h15 com mais informação)




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