Finanças Públicas Dívida pública sobe ligeiramente e volta a superar máximo histórico

Dívida pública sobe ligeiramente e volta a superar máximo histórico

O valor absoluto da dívida pública na ótica de Maastricht voltou a subir em maio. É um novo máximo em termos nominais, mas em percentagem do PIB o endividamento público está a cair.
Dívida pública sobe ligeiramente e volta a superar máximo histórico
EPA
Tiago Varzim 01 de julho de 2019 às 10:54
A dívida pública na ótica de Maastricht, a que interessa a Bruxelas, aumentou 160 milhões de euros em maio deste ano, situando-se agora nos 252,5 mil milhões de euros - o valor mais alto de sempre em termos nominais. Os dados foram revelados esta segunda-feira, 1 de julho, pelo Banco de Portugal. 

Maio foi um mês que ficou marcado pela primeira emissão de dívida pública portuguesa na China, tendo esta sido a estreia de um país da Zona Euro no mercado em moeda chinesa. Contudo, a relevância da emissão é menor dado que foram apenas 260 milhões de euros.

"Para esta subida contribuiu essencialmente o aumento de certificados do Tesouro e de empréstimos", adianta o Banco de Portugal. Em maio, o IGCP, a agência que gere a dívida pública, também foi ao mercado financiar-se a 10 anos, tendo emitido dívida no valor de 800 milhões de euros

Apesar da subida há cinco meses do valor nominal da dívida pública - que tende a ser maior no início do ano por ser quando o IGCP concentra as idas ao mercado -, o seu peso na economia tem baixado por causa do contributo positivo do crescimento do PIB.

A meta do Governo é baixar o rácio da dívida pública - este é o indicador a que estão atentos tanto os mercados como as agências de rating - dos 121,5% em 2018 para os 118,6% em 2019, sendo que no primeiro trimestre estava nos 123% do PIB. Falta conhecer os dados da dívida pública de junho e o PIB do segundo trimestre para perceber a evolução do rácio no primeiro semestre deste ano. 

O Banco de Portugal revela ainda que os ativos em depósitos das administrações públicas - a chamada "almofada financeira" - aumentaram 700 milhões de euros face a abril, tendo fixado nos 23,1 mil milhões de euros em maio.

Em princípio, enquanto as administrações públicas registarem défice orçamental (foi de 637 milhões de euros até maio), a dívida pública baterá sempre recordes em termos nominais. O ministro das Finanças, Mário Centeno, prevê que isso deixe de acontecer a partir do próximo ano. Portugal tem "condições, a partir de 2020, para que o nível de dívida nominalmente, e não só em percentagem do PIB, se reduza", disse, em abril, à Reuters.

Outro indicador importante para a dívida pública é o seu custo. De acordo com os dados do IGCP, o custo da dívida emitida até maio atingiu um novo mínimo histórico: 1,5%. 

(Notícia atualizada com mais informação às 11h04)



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