Finanças Públicas Escalada do petróleo ameaça Programa de Estabilidade

Escalada do petróleo ameaça Programa de Estabilidade

O Governo aponta para um preço médio de 42 dólares por barril. O valor nos mercados já está acima, mas o saldo no ano ainda não. A diferença está, contudo, cada vez menor, colocando pressão nas contas do Executivo.
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Paulo Moutinho 27 de abril de 2016 às 15:28

O West Texas Intermediate superou os 45 dólares, barreira que o Brent já galgou. As cotações do petróleo estão a subir de forma expressiva, quase duplicando desde os mínimos registados em Fevereiro, aproximando cada vez mais o valor médio da matéria-prima daquela que é a projecção de 42 dólares, este ano, em que está assente o Programa de Estabilidade. A diferença é cada vez menor.

 

O preço do barril em Nova Iorque avançou para níveis que não se verificavam desde Novembro, impulsionado pela quebra dos inventários norte-americanos com as baixas cotações da matéria-prima. Mas enquanto o WTI supera os 45, o Brent está em 46,60 dólares. E já esteve nos 47,05 dólares, bem acima daquela que é a mais recente estimativa considerada pelo Governo no Programa de Estabilidade. Mas em termos médios, ainda não.

 

Se para o Orçamento do Estado foi assumido que o petróleo terá este ano uma cotação média de 47,5 dólares por barril, no caso do Programa de Estabilidade, o Governo assume que a cotação média em 2016 seja de 42 dólares por barril, recuando em 2017 para os 41,2. Só depois vem uma subida para 44,90 dólares, mantendo nesse nível até 2020.

 

Apesar dos máximos nos mercados, o preço médio do Brent continua abaixo dos pressupostos mais recentes. De acordo com os dados da Bloomberg, o valor médio do barril negociado em Londres está a 36,97 dólares, ainda assim cada vez mais próximo. Há uma diferença de apenas cinco dólares no preço médio do mercado e o que é utilizado por António Costa. Uma diferença que pode desaparecer rapidamente.

 

Subida do petróleo é uma ameaça às metas do Governo no Programa de Estabilidade?
Sim
74,8%
Não
25,2%

Mais subidas?

 

O petróleo já praticamente duplicou de valor desde os mínimos registados em Fevereiro, altura em que chegou a apenas 26 dólares. Tem vindo a subir com a expectativa de um entendimento entre a Arábia Saudita (e os membros da OPEP) e a Rússia, bem como outros produtores fora do cartel, para congelar a produção. A ideia é a de reequilibrar o mercado, travando o excesso de oferta.

 

Com a oferta a começar a dar sinais de quebra, especialmente nos EUA fruto da falência de muitas produtoras de petróleo de xisto, os preços estão a tocar máximos de meio ano, sendo que há cada vez mais analistas a apontarem para novos máximos. "Existe a possibilidade de vermos novos máximos a partir daqui, independentemente dos dados da EIA, já que o mercado está convencido da ideia de que os "stocks" vão diminuir", disso John Kilduff, responsável da Again Capital. Os 50 dólares podem ser a próxima fasquia a superar.

 

Travão na economia

 

O petróleo está em alta, podendo continuar a valorizar. E quanto mais subir, maior será o risco para países dependentes da matéria-prima, como é o caso de Portugal. E uma forte subida pode ser bastante negativa. No Programa de Estabilidade, o Governo aponta como riscos um aumento de 20% do preço do petróleo e uma diminuição de dois pontos percentuais da procura externa.

Em relação à primeira, os técnicos do Ministério das Finanças são claros: "No caso do aumento do preço do petróleo a simulação revela uma quebra do PIB real no primeiro ano", estimam. Mas os gráficos que acompanham este texto parecem mostrar um crescimento mais baixo do PIB. Ou seja, em vez de uma contracção estaríamos a falar de uma desaceleração.




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