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Ex-conselheiro de Barroso: Mutualização da dívida é "politicamente impossível"

O economista André Sapir, antigo conselheiro económico de Durão Barroso, considera que é "politicamente impossível" discutir a mutualização da dívida neste momento, que a reestruturação "não é opção" e que a dívida portuguesa "não é um caso perdido".

Reuters
Lusa 28 de Maio de 2014 às 08:20
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Em entrevista à agência Lusa, André Sapir, considera que "seria desejável" um mecanismo de partilha de responsabilidades a nível europeu pela dívida soberana dos países do euro (mutualização), mas entende que, "a nível político, é impossível discutir isso agora" e que "a primeira coisa a fazer é sair da crise e ter uma estratégia de crescimento".

 

Interrogado sobre a sustentabilidade da dívida portuguesa, o economista belga citou o exemplo da Bélgica, cuja dívida passou dos 140% do Produto Interno Bruto (PIB) no início da década de 1990 para os 85% em meados da década de 2000, para argumentar que a dívida pública de Portugal "não é um caso perdido".

 

Para Sapir, há dois factores determinantes na trajectória da dívida: por um lado, o crescimento económico e, por outro, o ajustamento orçamental.

 

"Não posso falar sobre como a sociedade e os partidos portugueses se vão comprometer para continuar a consolidação orçamental, mas acho que é exequível. Não podemos dizer que [a dívida portuguesa] já está num nível tão elevado que não há esperança", defendeu, advertindo, no entanto, que "vai ser um desafio".

 

Quanto à possibilidade de reestruturar a dívida pública portuguesa, André Sapir foi peremptório: "Isso não é opção, essa discussão não é de todo útil, devemos desencorajar os políticos a ir nessa direcção e dar falsas esperanças - ou ilusões - às pessoas."

 

Sapir acredita que a redução da dívida pública tem de ser feita "pela via difícil", através de políticas de crescimento e de consolidação orçamental, até porque, desta forma, numa crise futura, os parceiros de Portugal estariam dispostos a ajudar o país.

 

Numa nova crise, "os países que emprestaram dinheiro a Portugal poderiam sentar-se à mesa e ver o que podem fazer", não no sentido de fazer um 'haircut' [redução do capital em dívida], mas de prolongar maturidades e descer juros.

 

"Já foi feita uma série de ajustamentos, mas acho que deve haver margem para fazer um bocado mais. Isso só aconteceria no caso de Portugal estar a fazer o seu trabalho e de haver ventos adversos fortes a nível externo", defendeu.

 

André Sapir esteve em Portugal para participar no 'ECB Forum on Central Banking', organizado pelo Banco Central Europeu e que decorreu em Sintra nos últimos dias.

 

               

               

 

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