Finanças Públicas Finanças: Riscos para o rating "têm vindo a ser ultrapassados com sucesso"

Finanças: Riscos para o rating "têm vindo a ser ultrapassados com sucesso"

Em reacção ao corte de "outlook" efectuada pela ARC, o Ministério das Finanças assinala que o Orçamento do Estado para 2017 "favorece o crescimento económico" e que são "já visíveis sinais de aceleração" no segundo semestre.
Finanças: Riscos para o rating "têm vindo a ser ultrapassados com sucesso"
Miguel Baltazar
Nuno Carregueiro 12 de setembro de 2016 às 16:33

O Ministério das Finanças considera que são já visíveis os "sinais de aceleração" da economia portuguesa no segundo semestre deste ano e destaca "as perspectivas optimistas" para o resto do ano.

 

Numa nota enviada ao Negócios, em reacção ao corte de "outlook" efectuado ao rating da dívida portuguesa por parte da ARC, o gabinete de Mário Centeno assinala que "os riscos económicos e políticos referidos pela agência têm vindo a ser ultrapassados com sucesso, nomeadamente com a boa execução orçamental verificada desde o início do ano e com as medidas de apoio ao investimento".

 

A ARC ficou mais perto de colocar o "rating" de Portugal no "lixo" depois de, na sexta-feira, ter reduziu o "outlook" para negativo. Embora tenha reiterado o rating em "BBB-" (primeiro nível acima de "lixo"), ao cortar o "outlook" a agência de notação financeira sinalizou que, em caso de alteração, o mais provável será uma revisão em baixa, o que, a concretizar-se, fará com que a dívida pública portuguesa passe a ter uma classificação de BB+, levando a que se encontre no nível especulativo, ou seja, de "lixo". 

 

A agência, que resultou da união entre a portuguesa CPR e outras companhias de notação financeira internacionais, mostra-se sobretudo preocupada com o fraco crescimento económico, o elevado valor da dívida e o processo de reestruturação do sector financeiro, mais lento e custoso do que o esperado.

 

Em resposta, as Finanças assinalam que a "recapitalização da Caixa Geral de Depósitos revela a firme decisão do Governo de avançar com um plano definitivo de estabilização do sector financeiro" e que, depois de um primeiro semestre "muito afectado por condicionantes externas", no segundo semestre "foram já visíveis sinais de aceleração, em que as componentes mais dinâmicas da procura foram as exportações e o investimento".

 

No que diz respeito ao investimento, que a ARC assinalou representar apenas 15% do PIB, o Ministério das Finanças considera que "a tendência de longo prazo de desaceleração é comum à generalidade dos países desenvolvidos, não sendo específica de Portugal". Ainda assim, "os indicadores de actividade e de confiança melhoraram face ao final do ano passado o que reforça as perspectivas optimistas para o segundo semestre de 2016".

 

Um défice persistente acima de 3% será um dos factores que poderá levar a ARC a concretizar a ameaça de descer o rating para o nível de "lixo". Centeno responde: "Portugal está no bom caminho para o cumprimento do objectivo definido pela Comissão Europeia que retira o país do Procedimento por Défices Excessivos". E que o Orçamento do Estado para 2017 "favorece o crescimento económico e a criação de emprego", além do que "reitera o rigor na execução orçamental".

 

As três principais agências de "rating" – Moody’s, Fitch e S&P – classificam a dívida portuguesa na categoria de investimento especulativo. Além da ARC, apenas a DBRS mantém o "rating" acima de lixo.

 

Todas as agências têm insistido na preocupação com o persistente baixo nível de crescimento da economia portuguesa e elevado volume da dívida pública, que já se situa acima de 130% do PIB. 




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