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Gaspar diz à Bloomberg que não vai pedir condições mais brandas para ajustamento

O ministro das Finanças está num périplo em Nova Iorque para recuperar a confiança dos mercados financeiros e até deu explicações sobre a conversa que teve com Wolfgang Schäuble, antes duma cimeira europeia, e que foi apanhada por uma câmara da TVI.

Hugo Paula hugopaula@negocios.pt 20 de Abril de 2012 às 09:39
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Vítor Gaspar deu uma entrevista à Bloomberg em que reiterou que o Governo português não vai pedir condições mais brandas para o ajustamento e disse que os bancos portugueses não vão recorrer a mais do que “uma fracção” da ajuda que lhes está destinada. O mercado de obrigações é um “indicador distorcido da credibilidade” do país nos mercados, referiu.

“O processo de recuperar acesso ao mercado é um processo gradual”, disse em entrevista publicada esta manhã pela agência norte-americana. “Estas coisas levam tempo. A credibilidade e confiança acumulam-se lentamente”, acrescentou.

O ministro das Finanças reiterou assim que não vai pedir alterações ao programa de resgate português, segundo a Bloomberg, que relembra a conversa entre Vítor Gaspar e Wolfgang Schäuble.

Antes de uma cimeira europeia, o ministro das Finanças alemão dizia a Gaspar que o seu Governo poderia rever as condições da ajuda a Portugal depois de resolvida a crise grega. No entanto, a oferta que Vítor Gaspar dizia ser “muito apreciada” não era a de flexibilização das condições do resgate, alegou Gaspar à Bloomberg.

“É completamente impossível [depreender isso] daquela conversa – porque eu proferi qualquer coisa como 10 palavras”, respondeu o ministro das Finanças. “Não, não, de forma alguma – estamos em completo compromisso com o programa”, salientou.

A oferta dos parceiros europeus de prolongar a ajuda a Portugal no caso de o país não conseguir aceder aos mercados financeiros em Setembro de 2013, data prevista no programa de resgate a Portugal, “é uma fonte de grande conforto para nós”, disse Vítor Gaspar à agência norte-americana. “Vemos isso como um mecanismo de segurança, algo que faz sentido ter. Embora, obviamente, não é por se ter um seguro automóvel que alguém se torna num condutor temerário”, salientou.

Os bancos portugueses estão à frente do que está agendado no esforço melhoria do balanço, com vista a reforçar capital e a cumprir os rácios de solvabilidade exigidos pela troika e pela Autoridade Bancária Europeia (EBA, na sigla inglesa). Sem avançar uma estimativa, Vítor Gaspar salientou que “mesmo na pior das hipóteses, será uma fracção dos 12 mil milhões”, que no programa de ajuda estão destinados ao reforço do capital dos bancos.

Obrigações são um fraco “indicador de credibilidade”. Bilhetes do Tesouro são mais fidedignos

O ministro das Finanças falou também do desempenho da dívida pública portuguesa no mercado secundário de obrigações.

“Os mercados de obrigações portuguesas não estão a funcionar de forma normal”, já que se caracterizam pelos baixos volumes negociados e intervalos “muito amplos” entre o valor da melhor oferta de compra e a melhor oferta de venda. “Quando se olha para as taxas de juro da dívida, está-se a olhar para um indicador de credibilidade muito ruidoso e distorcido”, resumiu Gaspar.

Para o ministro das Finanças, os bilhetes do Tesouro são um indicador mais fidedigno porque são negociados de forma mais activa no mercado, disse o ministro das Finanças à Bloomberg.

Venda da ANA e da TAP vai decorrer em paralelo

A venda da operadora dos aeroportos em Portugal e da companhia aérea nacional vai coincidir no tempo, embora sejam operações separadas, disse Ana Luís Albuquerque, secretária de Estado do Tesouro e Finanças. O Governo está agora a escolher os bancos de investimento que irão tratar da operação.

A coincidência temporal na venda da ANA e da TAP é importante, explicou a secretária de Estado à Bloomberg, "porque o valor dos aeroportos depende do futuro da companhia aérea portuguesa e o futuro da companhia aérea também está relacionado com quem gere os aeroportos".

Vítor Gaspar afirmou ainda que o ajustamento por que Portugal está a passar “é um processo longo e doloroso”, mas que tem a virtude de assegurar que não se vai regressar às políticas que obrigaram a este ajustamento. “Existe uma forte determinação da parte dos portugueses em nunca mais deixar que um processo como este aconteça”, salientou Gaspar.
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