Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

João Pereira Leite: Não há alternativas à austeridade nos próximos anos

O director de investimentos do Banco Carregosa, João Pereira Leite, duvida que o Orçamento do Estado para 2015, o primeiro depois do programa da ‘troika’, seja "menos austero", alertando que "não há alternativa" nos próximos anos.

Lusa 12 de Outubro de 2014 às 14:57
  • Assine já 1€/1 mês
  • 17
  • ...

"Não acredito que este [para 2015] seja um orçamento menos austero. Não temos grande folga. Portugal não tem muitas alternativas a ser austero. Temos de ter contas públicas alinhadas com as nossas possibilidades", afirmou João Pereira Leite em entrevista à agência Lusa sobre aquele que será o primeiro Orçamento do Estado após a conclusão do Programa de Ajustamento Económico e Financeiro (PAEF).

 

O director de investimentos do banco Carregosa disse que, independentemente da discussão em torno da necessidade de atrair investimento ou de reforço das exportações, as "despesas e as receitas têm de estar equilibradas" e, por isso, "não há nenhuma alternativa senão continuar a fazer consolidação orçamental".

 

O Orçamento do Estado para 2015 é o último do mandato do atual Governo e, por isso, João Pereira Leite sublinha a ideia de que não há alternativa à austeridade nos próximos anos independentemente do partido que ganhe as eleições legislativas do próximo ano.

 

"Seja um Governo de PS alinhado à esquerda, quer seja um Governo PSD/CDS-PP é absolutamente indiferente: a consolidação orçamental tem de continuar a ser feita nos próximos anos, sob pena de perdermos controlo sobre a dívida e as contas públicas", afirma o economista.

 

João Pereira Leite considera que "Portugal sozinho não vai lá" e que tem de ser uma política europeia a ajudar os países do sul da Europa a ultrapassar as dificuldades.

 

"Têm de ser os países do norte e do centro da europa, excedentários, a abrir os cordões à bolsa para compensar a austeridade do sul da Europa. Se isso for feito, é possível que haja uma retoma económica e que a redução do consumo interno seja compensada com a dinâmica de comércio externo", defendeu, considerando que, ainda assim, isso não deverá acontecer.

 

Por outro lado, admitiu, "é possível que o Banco Central Europeu (BCE) assuma mais riscos e que venha anunciar um programa de alívio quantitativo. Esse seria o último argumento para tentar que a economia reanime porque já estamos num cenário deflacionista no sul da Europa".

 

O Governo tem de apresentar à Assembleia da República a proposta de Orçamento do Estado para 2015 até quarta-feira.

Ver comentários
Saber mais João Pereira Leite Orçamento do Estado Carregosa
Outras Notícias