Finanças Públicas Moody’s: Envelhecimento pode colocar economia portuguesa com taxas de crescimento negativas

Moody’s: Envelhecimento pode colocar economia portuguesa com taxas de crescimento negativas

"Concluímos que Portugal é um dos cinco soberanos que vai enfrentar a pressão no crescimento mais aguda, salvo se o crescimento da produtividade acelerar", refere a Moody’s.
Nuno Carregueiro 23 de outubro de 2019 às 16:52

A economia portuguesa é uma das que enfrenta maiores ameaças com o envelhecimento da população, sendo que se a produtividade não acelerar, o crescimento do produto interno bruto (PIB) pode ter taxas negativas dentro de 10 anos.

 

A conclusão é da Moody’s, que focou a sua análise nos 12 países que têm a população mais envelhecida, ou enfrentam a taxa de crescimento mais rápida na população idosa. Portugal está não só neste grupo seleto de 12 países, mas também no grupo mais restrito que enfrenta maiores ameaças ao crescimento económico nos próximos anos devido ao envelhecimento da população.

 

"Concluímos que Portugal é um dos cinco soberanos que vai enfrentar a pressão no crescimento mais aguda, salvo se o crescimento da produtividade acelerar", refere a Moody’s na análise publicada esta quarta-feira. A par de Portugal está o Japão e outros três países do sul da Europa: Itália, Espanha e Grécia.

 

"As nossas simulações sugerem que a partir de meados da década de 2020 em Itália, e início da década de 2030 no Japão, Grécia, Portugal e Espanha, o envelhecimento - se isolado de outras medidas para estimular a produtividade e aumentar o crescimento económico – levará o crescimento potencial da economia para ou abaixo de zero", refere o relatório.

 

Ou seja, segundo a agência, a economia portuguesa está no lote das que enfrenta o risco de ter taxas de crescimento económico negativas casa nada seja feito para contrariar os efeitos do envelhecimento da população.   


    

"Enquanto as reformas laborais e o investimento em tecnologias têm potencial para aumentar o crescimento económico, anular totalmente os efeitos negativos relacionados com o envelhecimento através do mercado de trabalho exigirá uma recuperação sem precedentes no crescimento da produtividade", alerta a Moody’s.

 

Os efeitos do envelhecimento não se notarão apenas no crescimento da economia. O impacto no rating será negativo, a despesa pública ficará mais pressionada e o rendimento per capita das famílias irá descer.

 

"A menos que os governos consigam ajustar-se, implementando medidas para mitigar os efeitos do envelhecimento da população", será de espera "fortes abrandamentos na taxa de crescimento do PIB, aumentos mais baixos nos rendimentos e aumento no fardo da dívida", que "vão penalizar a força económica e orçamental dos países", refere Marie Diron, diretora-geral da Moody’s.




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