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Passos: “Há desfasamento entre o reconhecimento do mercado e as agências de rating”

O primeiro-ministro afirmou, a propósito da emissão de dívida a 30 anos, que isso é sinal da confiança dos mercados em Portugal. E que começa a haver um desfasamento entre essa confiança e o rating da dívida portuguesa.

Bruno Simões brunosimoes@negocios.pt 16 de Janeiro de 2015 às 13:31
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O primeiro-ministro abordou a emissão de dívida a 30 anos depois de ser questionado por Luís Montenegro, líder parlamentar do PSD. "O que se passou esta semana foi uma emissão a 30 anos, que é realizada, e cuja maturidade se coloca para além do último reembolso de todos os empréstimos que as instituições da troika fizeram a Portugal", detalhou Passos Coelho. Isso é "o valor mais importante da confiança reflectida pela forma como decorreu esta emissão", com "procura externa e diversificada".

 

"Se atendermos a que Portugal ainda não tem ‘investment grade’ [a nota das agências desaconselha o investimento] na sua dívida, e há um conjunto muito importante de investidores que não pode comparecer nestes leilões", destacou, "começa a haver um desfasamento entre o reconhecimento do mercado quanto à trajectória da dívida pública e o que está nas agências de rating", notou.

 

Actualmente, a dívida pública portuguesa é considerada especulativa (na categoria de "lixo") pelas três principais agências de rating. A Moody's dá nota Ba1 a Portugal, o último nível antes do investimento de qualidade. Na Fitch, Portugal ocupa a mesma posição: com nota BB+, e "outlook" positivo, está a apenas um nível de sair do lixo. Já a Standard&Poor's atribui notação BB à dívida portuguesa, dois níveis abaixo do investimento de qualidade, com perspectiva estável.

 

Apesar disso, Passos mostra-se optimista. "Não temos de nos irritar muito com as decisões das agências de rating, a minha confiança é que haverá uma correcção mais dia menos dia por parte dessas agências", asseverou.

 

Essencial "é que esta trajectória seja mantida, é disso que trata a confiança associada a uma emissão a 30 anos. Há a convicção que estamos posicionados de maneira a cumprir os nossos objectivos", conclui Passos. "Quem declara que não está em condições de cumprir nunca suscita confiança dos investidores".

 

"Podemos fazer todos os debates, mas o Governo nem uma única vez transmite aos portugueses ou investidores qualquer ideia que não seja a sua absoluta confiança em como Portugal manterá uma trajectória descendente na dívida e conseguirá honrar os compromissos", afiançou o primeiro-ministro.

 

Grécia foi penalizada por causa da crise política

 

O primeiro-ministro deu o exemplo da Grécia para suportar a sua teoria. "Quando outros países põem em dúvida, seja por via da estabilidade política ou qualquer outra razão, o cumprimento das suas obrigações, não precisam de esperar pelas agências de rating, são logo os investidores a penalizar a sua dívida".

 

"A Grécia estava com juros de 6% e chegou a atingir mais de 10% durante as últimas semanas", alertou, rematando com um aviso. "A forma como encaramos o exercício orçamental é essencial".

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