Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Passos: "É preciso um maior envolvimento do BCE"

Pela primeira vez, o primeiro-ministro defendeu hoje abertamente a necessidade de o BCE intervir, e sem demoras, para tentar travar a crise do euro. Sem o euro estabilizado, os esforços em Portugal estão condenados ao fracasso, disse.

Eva Gaspar egaspar@negocios.pt 08 de Dezembro de 2011 às 15:57
  • Partilhar artigo
  • 10
  • ...
Pedro Passos Coelho defendeu esta tarde “um maior envolvimento” do Banco Central Europeu (BCE) na luta contra a crise do euro, argumentando que é preciso que a autoridade monetária do euro ajude a criar condições de estabilidade nos mercados para que os Governos possam ter tempo para mostrar os resultados, necessariamente demorados, dos esforços em curso de consolidação orçamental e de reforma das respectivas economias.

Falando na cimeira dos líderes do Partido Popular Europeu (PPE), que está a decorrer em Marselha, em véspera de mais uma cimeira europeia que pode revelar-se decisiva para o futuro do euro, o primeiro-ministro frisou que, neste momento, a intervenção do BCE é necessária para que o projecto da união monetária possa recuperar "credibilidade" juntos dos investidores.

“Um maior envolvimento do BCE é muito bem-vindo” e, frisou Passos, a sua intervenção não pode ser entendida como um gesto de “solidariedade, mas de credibilidade”. “O BCE não deve pôr em causa a sua independência, nem a sua missão de assegurar a estabilidade dos preços. Mas deve também manter-se fiel à sua missão de ser um instrumento de estabilização do sistema financeiro no seu todo”.

Passos Coelho frisou ainda que uma Europa estabilizada é condição necessária, ainda que não suficiente, para o sucesso do programa de ajustamento em curso em Portugal.

Perante os líderes da família conservadora – que estão em franca e crescente maioria na Europa, sendo o caso do presidente francês, Nicolas Sarkozy, e da chanceler alemã Angela Merkel, que já antes haviam discursado em Marselha – Passos Coelho frisou que o parlamento português acaba de aprovar o Orçamento “mais ambicioso da nossa história”, que o Governo está a “ir mais longe” do que o programa da troika nas reformas estruturais, designadamente no mercado de trabalho, para logo depois advertir que todo esse esforço pode ser inglório se a crise do euro persistir.

“Sem a ajuda europeia, não seremos suficientemente fortes para garantir o êxito” do nosso programa, que poderá assim ficar “condenado ao fracasso”, advertiu.

O primeiro-ministro mostrou-se, porém, convicto de que os líderes europeus saberão amanhã, em Bruxelas, encontrar uma solução equilibrada para enfrentar a crise. Embora concorde ser necessário reforçar a união económica (desejavelmente através de alterações que não lancem a Europa no caminho longo e incerto associado a uma revisão de Tratados), Passos sublinhou que urgente são medidas "fortes e de curto prazo para restaurar a credibilidade europeia".

(Notícia actualizada às 16h25)



Ver comentários
Saber mais Passos cimeira PPE crise euro é preciso um maior envolvimento do BCE
Outras Notícias