Finanças Públicas Políticas do Governo português são o principal risco para a retoma

Políticas do Governo português são o principal risco para a retoma

O BCE e Comissão Europeia avisam que o impacto da devolução de rendimentos não é duradouro e que o consumo privado vai voltar a desacelerar, e já no próximo ano.
Políticas do Governo português são o principal risco para a retoma
Reuters
Nuno Carregueiro 22 de junho de 2016 às 20:56

Concluída a quarta avaliação pós-programa a Portugal, o BCE e a Comissão Europeia emitiram uma nota onde alertam que as medidas do Governo representam o principal risco para a retoma da economia portuguesa.

 

Num comunicado conjunto, o Banco Central Europeu e a Comissão Europeia assinalam que "Portugal está no quarto ano de recuperação da crise", mas o ritmo "situa-se abaixo das expectativas, o que aumenta os riscos da execução orçamental" e a "condições financeiras deterioraram-se um pouco".

 

Alertam ainda que "o elevado endividamento de todos os sectores da economia continua a penalizar o ritmo de recuperação", bem como a "rigidez do mercado de trabalho".

 

É por isso que o BCE e a Comissão Europeia apelam a que, no médio prazo, sejam implementadas mais medidas para "aumentar o potencial de crescimento e assegurar a convergência do PIB per capita com a média do euro".

 

Sobre a evolução do PIB no primeiro trimestre deste ano, avisam que o abrandamento ficou a dever-se à queda do investimento e contributo negativo das exportações.

 

E apesar de o BCE e Bruxelas anteciparem "alguma recuperação da actividade económica" nos próximos trimestres, avisam que esta será suportada pelo consumo privado, devido às políticas implementadas pelo actual Governo.

 

Contudo, alertam que estas medidas, como a devolução de salários à Função Pública, não deverão ter efeitos de longo prazo, "pelo que o consumo privado deverá desacelerar de novo em 2017".

 

A troika tem criticado as várias reversões efectuadas pelo Governo de António Costa e aproveita este relatório para voltar a lançar alertas sobre os efeitos destas políticas. Desta vez diz mesmo que a maior ameaça ao crescimento da economia portuguesa está nas políticas internas e não em factores externos.

 

"Apesar de também existirem riscos para as perspectivas económicas no ambiente externo, estes são sobretudo internos e relacionados com a adequação das políticas domésticas", refere o comunicado.

 

Acelerar redução do défice

 

Assinalam que o Governo português se comprometeu a cumprir as regras orçamentais, pelo que "o esforço para reduzir o défice estrutural tem que ser acelerado".

 

O Orçamento do Estado para 2016 antecipa um défice orçamental equivalente a 2,2% do PIB, sendo que a Comissão Europeia tem alertado que terão de ser tomadas medidas adicionais para alcançar este objectivo. As previsões de Bruxelas apontam para um défice de 2,7% do PIB.

A Comissão Europeia e o BCE referem que a execução orçamental até Abril está em linha com os objectivos, "mas permanecem elevadas incertezas e riscos para o resto do ano".

 

Referem que o esforço de consolidação orçamental é "insuficiente" e que, para reduzir o peso da dívida no PIB, será necessário um esforço adicional.

 

O BCE e a Comissão Europeia assinalam que o Governo português não pretende adoptar mais medidas concretas para reduzir os custos dos portos e o défice tarifário no sector energético.




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