Finanças Públicas Por que é que se pode reestruturar a dívida das empresas mas não a dívida pública?

Por que é que se pode reestruturar a dívida das empresas mas não a dívida pública?

A rejeição da reestruturação da dívida pública mereceu a quase unanimidade entre os presentes na conferência “Portugal pós-troika”, organizada pelo Negócios e a Renascença. Mas por que razão é que as empresas muitas vezes reestruturam com os credores a dívida e aos Estados parece vedada essa possibilidade? O Negócios foi à procura de respostas na plateia do hotel Ritz.
Miguel Baltazar/Negócios Miguel Baltazar/Negócios Miguel Baltazar/Negócios Miguel Baltazar/Negócios Miguel Baltazar/Negócios Miguel Baltazar/Negócios Miguel Baltazar/Negócios Miguel Baltazar/Negócios Miguel Baltazar/Negócios Miguel Baltazar/Negócios Miguel Baltazar/Negócios Miguel Baltazar/Negócios Miguel Baltazar/Negócios Miguel Baltazar/Negócios Miguel Baltazar/Negócios Miguel Baltazar/Negócios Miguel Baltazar/Negócios Miguel Baltazar/Negócios Miguel Baltazar/Negócios

O social-democrata José Eduardo Martins responde à questão na negativa. “Não se explica”. E acrescenta: “Como referiu Francisco Pinto Balsemão [na apresentação do manifesto dos 70] em qualquer relação de devedor/credor, libertar o devedor para que tenha condições de pagar a divida é bom para o devedor e para o credor. Não vejo porque é que essa questão não se coloque também ao Estado”, afiança.

 

Já o director-geral do Fórum para a Competitividade, Jaime Lacerda, que diz que reestruturar a dívida pública pode ser interpretado como um sinal de afrouxamento, questionado sobre se isso não acontece frequentemente no sector empresarial, responde: “A maior parte das vezes em que isso acontece nas empresas dá mau resultado, porque o problema não está na reestruturação da dívida mas nos aspectos económicos da operação da empresa”. Mas a questão da dívida não é importante para as empresas poderem dar a volta? “Pode ser, se o resto existir. Se se olha só para a reestruturação financeira raramente se resolve o problema”, riposta.

 

Também a administradora do IGCP, Cristina Casalinho, olhou para a questão mas numa perspectiva analítica. “Para se crescer e investir temos de trabalhar na dívida privada, mas esse trabalho ainda está numa fase muito incipiente. No caso irlandês e espanhol está mais avançado”, avança.

 

Casalinho reconhece que a “dívida privada aumentou mas por parte das grandes empresas e não das PME, mais do que noutros países”. Durante a conferência, a presidente do Conselho de Finanças Públicas do Banco de Portugal, Teodora Cardoso, afirmara que a dívida do sector privado tinha subido para 230% do PIB, e que 180% tem origem nas empresas. 




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