Finanças Públicas Portugal é o 3.º país da UE com mais dívida de curto prazo

Portugal é o 3.º país da UE com mais dívida de curto prazo

Em Portugal, o peso da dívida de curto prazo no bolo total da dívida pública é dos mais elevados em comparação com a União Europeia. Além disso, Portugal é dos países onde as famílias e as empresas detêm mais dívida nacional.
Tiago Varzim 22 de junho de 2018 às 15:15
17,3% da dívida pública portuguesa tem uma maturidade inferior a um ano. Esta percentagem faz com que Portugal seja o terceiro país da União Europeia onde a maturidade de curto prazo mais pesa no total da dívida. A Suécia (25%) e a Hungria (18%) são os únicos dois países que superam Portugal, de acordo com os dados do Eurostat que se referem a 2017 e foram divulgados esta sexta-feira, 22 de Junho. 

Há um ano, Portugal era o país com a maior percentagem (16,7%) de dívida de curto prazo na União Europeia. A percentagem estabilizou este ano, mas aumentou noutros países, perdendo Portugal a liderança deste ranking. 

Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) tem vindo a conciliar na sua estratégia dois tipos de emissões: os leilões de longo prazo (para estender maturidades) e leilões com emissões mais curtas (procurando em cada momento conseguir taxas de juro mais baixas consoante a evolução do mercado secundário da dívida).



No outro lado da tabela estão países como a Lituânia, Polónia e Eslováquia. Aliás, na maior parte dos países a percentagem de dívida de curto prazo é inferior a 10%. A Bulgária é o único país da União Europeia que não tem nenhuma obrigação com maturidade inferior a um ano. 

Dívida detida por residentes destaca-se em Portugal

Apesar da queda percentual em 2017, o rácio da dívida pública de Portugal é ainda o terceiro mais elevado da União Europeia, apenas superado pela Grécia (178,6%) e pela Itália (131,8%). 

Portugal está também no topo dos países europeus que têm um peso importante da dívida detida por residentes: 23% da dívida pública está nas mãos de famílias e empresas do sector não financeiro. Só em Malta e na Hungria é que os residentes detêm uma maior percentagem da dívida nacional. 


Por outro lado, o sector financeiro (bancos) nacional detém menos dívida portuguesa em comparação com a maior parte dos países europeus. 

Já os não residentes detêm mais de metade da dívida nacional. Estes dados ligam-se ao tipo de instrumento financeiro que pesa mais em Portugal do que na União Europeia: os empréstimos. Em causa está o empréstimo da troika financiado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e pelos fundos de resgate europeus.



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