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Portugal tem de gerir melhor os seus recursos, defende banco central

Mais controlo na despesa e poupança, melhores investimentos, e melhor gestão financeira das empresas. Estas são as três traves mestras definidas pelo Banco de Portugal para uma estratégia de crescimento de médio prazo.

Bruno Simão/Negócios
Rui Peres Jorge rpjorge@negocios.pt 28 de Maio de 2014 às 13:23
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Portugal conseguiu bons resultados nos três anos do programa de ajustamento, mas enfrenta um desafio de crescimento que terá de ultrapassar: só assim conseguirá garantir a continuação da transformação estrutural da economia e a redução dos elevados níveis de desemprego e endividamento. A avaliação é do Banco de Portugal que, num estudo sobre economia portuguesa incluído no relatório do Conselho de Administração publicado quarta-feira, elenca três dimensões fundamentais de uma estratégia de crescimento.

 

Segundo o banco central "o crescimento sustentado da economia dependerá, em grande medida, da capacidade dos agentes económicos para" evitar um crescimento baseado na despesa, gerir melhor o investimento das empresas e dos trabalhadores, e garantir um financiamento da actividade económica mais baseado em capitais próprios e menos em endividamento.

 

Em particular, no estudo dedicado à economia portuguesa, a equipa liderada pelo governador Carlos Costa diz ser importante "assegurar níveis de despesa compatíveis com os do rendimento e da riqueza, estimulando a poupança", e salienta a importância de "utilizar correctamente o capital e o factor trabalho". Esta melhor gestão dos recursos do país, passa por "uma selecção criteriosa dos investimentos por parte das empresas e das entidades financiadoras, da qualificação da força de trabalho e do incremento da inovação e da competitividade, potenciando o crescimento das empresas mais produtivas, sobretudo no sector transaccionável".

 

O também regulador do sistema bancário considera ainda ser fundamental que as empresas financiem as suas actividades mais por capitais próprios e menos por endividamento, aconselhando um "reforço dos capitais próprios das empresas" e aconselhando-as a encontrar "alternativas ao crédito bancário, designadamente por via da atracção do investimento directo estrangeiro".

 

Estas são as traves mestras defendidas pelo banco central para uma estratégia de crescimento no pós-troika. "Não obstante tais progressos [de reequilíbrio económico conseguidos durante o programa de ajustamento], o regresso da economia portuguesa ao financiamento de mercado em condições de normalidade terá de assentar num crescimento sustentado do produto", lê-se na introdução do documento, onde se escreve também que "esta é também uma condição necessária para a redução do elevado nível de desemprego prevalecente na economia, que constitui um dos aspectos mais gravosos do processo de ajustamento".

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