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PS: Se a despesa continuar no mesmo nível será difícil cumprir meta de 5,5%

O dirigente nacional do PS Óscar Gaspar disse hoje à Lusa que se se mantiver a linha de tendência da despesa, o Governo não conseguirá cumprir o défice previsto de 5,5% sem recorrer a receitas extraordinárias.

Lusa 30 de Setembro de 2013 às 17:07
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De acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) hoje divulgados, o défice orçamental foi de 7,1% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro semestre.

 

Questionado se será possível cumprir o défice previsto de 5,5% pelo Governo, Óscar Gaspar afirmou que "tudo leva a crer que tal não será possível".

 

"Se se mantiver a linha de tendência da despesa não é possível, de forma alguma, sem receitas extraordinárias, conseguir o défice previsto de 5,5%", acrescentou Óscar Gaspar.

 

"A primeira conclusão que retiramos dos números hoje divulgados pelo INE é de que o défice orçamental foi de 7,1% no primeiro semestre, um valor que fica muito longe, muito superior àquilo que era o objectivo do Governo".

 

Além disso, sublinhou que os 5,5% são um "objectivo revisto, já que o inicial era de 4,5%".

 

Óscar Gaspar realçou "que nestes 7,1% não está sequer toda a despesa que o Governo e a Administração Pública devia ter feito e acabou por não fazer", aludindo ao pagamento dos subsídios de férias aos funcionários públicos e pensionistas, "que deveria ser efectuado como o Partido Socialista sempre defendeu no tempo correto, em Junho", ou seja, no primeiro semestre.

 

O subsídio, segundo o Governo, será pago em Novembro.

 

O PS considera o valor do défice "preocupante", já que coloca Portugal longe do objectivo previsto para o ano.

 

"Por outro lado, se do lado da receita aquilo que vemos é que há um enorme aumento dos impostos, aumento da receita muito significativo do lado IRS, do lado despesa há aqui alguma surpresa".

 

Isto porque segundo o INE, "a despesa cai em termos de investimento, há uma quebra muito pronunciada de 32% do investimento, mas depois na despesa corrente há um aumento dessa despesa, nomeadamente naquilo que o PSD tanto criticava há dois anos que eram os consumos intermédios".

 

Agora, "constatamos que mesmo num ano como 2013, de forte contenção, os consumos intermédios continuam a subir 3,2%. Ou seja, há aqui um feito de consolidação que lamentavelmente não está a ser feito por este Governo".

 

Em terceiro lugar, aponta Óscar Gaspar, há "outra linha de preocupação" para o PS, que é a dívida pública.

 

Na primeira informação sobre o procedimento por défices excessivos deste ano, "o Governo apontava para 122,4% e agora aponta para 127,8%".

 

Em termos nominais, "estamos a falar de uma dívida de mais de nove mil milhões de euros do que aquela que estava prevista há seis meses", disse Óscar Gaspar, sublinhando que o Governo tem vindo "sistematicamente" a rever os valores da dívida pública.

 

"É bastante preocupante para Portugal", concluiu.

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