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"Resposta definitiva" à crise grega será conhecida no fim de Junho (act.)

O presidente do Eurogrupo acredita que será possível encontrar uma "resposta definitiva" para a crise grega até ao fim do próximo mês. Diz estar "razoavelmente optimista".

Eva Gaspar egaspar@negocios.pt 30 de Maio de 2011 às 18:30
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“Vamos tentar resolver o problema grego até ao fim de Junho”, afirmou hoje Jean-Claude Juncker, ao frisar que nenhuma nova estratégia para enfrentar a crise da dívida grega pode ser afinada até que a missão da troika apresente as suas conclusões sobre a situação do país, o que deverá acontecer na próxima semana.

“Estamos à espera do seu julgamento final que determinará, em parte, qual será a nossa posição”, acrescentou, referindo-se aos resultados da missão de técnicos do Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu, sobre os quais se mostrou “razoavelmente optimista”.

Falando em Paris, o também primeiro-ministro do Luxemburgo voltou a admitir que uma provável recalendarização dos prazos de amortização da dívida pública grega afecte não apenas os Estados e as entidades públicas que financiaram a Grécia, mas também os credores privados, como exige a Alemanha. “O envolvimento do sector privado será examinado com toda a atenção que requer”.

Juncker insistiu mais uma vez que uma “completa reestruturação da dívida grega não é uma opção, nem está a ser encarada por ninguém”.


Comunidade internacional aperta o cerco a Atenas

A Grécia corre o risco de não receber a quinta fatia do empréstimo de 110 mil milhões de euros acordado há um ano, depois de não ter conseguido atingir as metas de redução do défice prometidas e de se ter concluído que, ao contrário do programado, o país não poderá no próximo ano regressar aos mercados financeiros para complementar a ajuda externa, devido às taxas de juro proibitivas (na casa dos 25% a dois anos) que continuam a ser cobradas no mercado secundário.

De acordo com o plano inicial, Atenas deveria assim assegurar, pelos seus meios, cerca de 27 mil milhões de euros no próximo ano. Sucede que as regras do FMI estabelecem que as sucessivas transferências dos empréstimos exigem o cumprimento das metas orçamentais mas também que o país garanta refinanciamento para os próximos 12 meses. “Não creio que a troika venha a chegar à conclusão de que esta garantia está dada”. E se o FMI não puder entrar com a sua parte, a Europa não estará em condições de o substituir, avisara na semana passada o próprio Juncker.

A advertência surgiu depois de o ministro grego das Finanças, George Papaconstantinou, ter admitido que o país declarará a bancarrota se não receber a quinta tranche de ajuda externa no valor de 12 mil milhões de euros até 26 de Junho. "A verdade é muito difícil e se não recebermos o dinheiro até 26 de Junho, seremos obrigados a 'fechar a loja' e a declarar a impossibilidade de honrar as nossas obrigações".



O “plano B” que está a ser pensado para tentar desenredar o drama grego passará pela extensão dos prazos de amortização da dívida – o que reduzirá as necessidades de financiamento em 2012 – mas, em contrapartida, os parceiros internacionais exigem que a Grécia avance com “urgência” com privatizações para arrecadar, pelo menos, 50 mil milhões de euros.

Para além da tensão política sobre o que privatizar e a que valor – com vários observadores a acusarem Bruxelas e Washington de estarem a forçar a venda de activos a grandes bancos e a preço de saldo – o “Financial Times” escreve hoje que, ainda que seja possível angariar os 50 mil milhões de euros, deverá ser necessário um reforço da ajuda externa. O jornal cifra-a em torno de 30 a 35 mil milhões, dando como certo que os termos da nova ajuda vão forçar a Grécia a autorizar as autoridades internacionais a participarem não apenas na preparação das privatizações, mas também na cobrança de impostos.

Muitos analistas consideram, porém, que a Europa está a empurrar o problema com a barriga. Com uma dívida pública superior a 150% do PIB e uma economia ainda em recessão, pagar toda a dívida é uma missão impossível: a Grécia terá de reestruturar, forçando os credores a aceitar um perdão parcial da dívida. Um dos grandes credores é o BCE, pelo que uma reestruturação promete abalar fortemente os alicerces do euro, para além dos efeitos dominó que gerará na banca privada.



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